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mês

junho 2021

Não permita Deus que eu morra sem que eu volte para lá. Antropologia Política (relatório final de pesquisa)

Eduardo Mares Bisnetto*

Cumprindo com meus deveres com as agências de fomento, publico finalmente meu relatório final de pesquisa sobre um país distante, de um planeta plano como a face de um dodecaedro. Exponho aqui apenas algumas pílulas, de modo a não estragar a surpresa que virá com a publicação do meu próximo livro: “País distante: não poderás ver nenhum país como este!”. O título ainda está em debate com minha editora. Ela implicou com o verbo poder no futuro. Aqui, descrevo o que pude perceber ao longo dos meus anos de pesquisa, a partir das notas taquigráficas, das transcrições de lives e dos poucos eventos que pude assistir presencialmente, antes de ter meu visto cancelado.

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Governo na fervura e as oposições

Fernando Perlatto*

Na última sexta-feira, na CPI da Covid, os irmãos Miranda fizeram declarações que, até o presente momento, podem ser aquelas que terão maiores consequências para o governo Bolsonaro. Não que outros depoimentos já não tivessem sido importantes no sentido de evidenciarem as irresponsabilidades do atual governo na condução do enfrentamento à pandemia, e que resultaram, até o momento, em mais de 500.000 mortes.

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Meias-verdades incômodas

Diogo Tourino de Sousa*

Há um aspecto da personalidade do xerife Bell, interpretado por Tommy Lee Jones no longa Onde os fracos não têm vez dos irmãos Coen, que sempre me intrigou: o modo como ele aparentemente se preserva. Mesmo diante das evidências da maldade em estado bruto, avançada na trama pelo assassino de aluguel Anton Chigurh, uma espécie de psicótico desprovido de senso humor e piedade, que ganhou vida nas telas no rosto incomodamente constante e quase inexpressivo de Javier Bardem, Bell parece insistir em olhar apenas até onde é capaz de suportar.

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Chamar as coisas pelo nome

Fernando Perlatto*

Em uma carta aberta publicada no mês passado, vários intelectuais, cientistas e artistas ligados à comunidade judaica, como Lilia Schwarcz, Silvio Tendler, Natalia Pasternak e Pedro Abramovay, manifestaram sua preocupação com “as inclinações nazistas e fascistas” do governo de Jair Bolsonaro. No documento, os signatários dizem que, para além do “uso de símbolos fascistas e referências à extrema-direita”, a criação de “ameaças fantasmagóricas” associadas aos “esquerdistas”, “cientistas” e “feministas” se assemelha àquelas direcionadas a judeus, ciganos e comunistas nos regimes nazifascistas, que acabam por constituir um terreno propício para as práticas efetivas de violência contra esses grupos. De acordo com a carta, diante da gravidade do cenário que vivemos, “é preciso chamar as coisas pelo nome”.

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As urnas e as armas

Jorge Chaloub*

A decisão da cúpula militar sobre o caso Pazuello é uma importante inflexão no já trágico cenário atual. Ela aponta não apenas para a atual conjuntura, mas aumenta as possibilidades de que venhamos a enfrentar uma violenta eleição em 2022, marcada pelo risco cada vez maior de um golpe. No próximo ano, o olhar se voltará não só para as urnas, mas também para as armas, em enredo que por si só já expõe a dimensão do autoritarismo no Brasil contemporâneo.

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