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Conjuntura

Governo na fervura e as oposições

Fernando Perlatto*

Na última sexta-feira, na CPI da Covid, os irmãos Miranda fizeram declarações que, até o presente momento, podem ser aquelas que terão maiores consequências para o governo Bolsonaro. Não que outros depoimentos já não tivessem sido importantes no sentido de evidenciarem as irresponsabilidades do atual governo na condução do enfrentamento à pandemia, e que resultaram, até o momento, em mais de 500.000 mortes.

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Meias-verdades incômodas

Diogo Tourino de Sousa*

Há um aspecto da personalidade do xerife Bell, interpretado por Tommy Lee Jones no longa Onde os fracos não têm vez dos irmãos Coen, que sempre me intrigou: o modo como ele aparentemente se preserva. Mesmo diante das evidências da maldade em estado bruto, avançada na trama pelo assassino de aluguel Anton Chigurh, uma espécie de psicótico desprovido de senso humor e piedade, que ganhou vida nas telas no rosto incomodamente constante e quase inexpressivo de Javier Bardem, Bell parece insistir em olhar apenas até onde é capaz de suportar.

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As urnas e as armas

Jorge Chaloub*

A decisão da cúpula militar sobre o caso Pazuello é uma importante inflexão no já trágico cenário atual. Ela aponta não apenas para a atual conjuntura, mas aumenta as possibilidades de que venhamos a enfrentar uma violenta eleição em 2022, marcada pelo risco cada vez maior de um golpe. No próximo ano, o olhar se voltará não só para as urnas, mas também para as armas, em enredo que por si só já expõe a dimensão do autoritarismo no Brasil contemporâneo.

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O monolito

Alexandre Mendes*

Numa das mais icônicas cenas do cinema contemporâneo, Stanley Kubrick tematiza a descoberta da transcendência (ou o acaso de sua invenção) pelo encontro de uma horda de ancestrais dos humanos com um misterioso monolito, perfeitamente geométrico, solidamente unitário, visivelmente incolor e totalmente distinto, em sua composição, da árida planície em que o grupo de primatas lutava por sua sobrevivência.

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Bolsonaro: o presidente sem nenhuma virtù

Maria Abreu*

A casa

Era uma casa muito engraçada
Não tinha teto, não tinha nada
Ninguém podia entra nela não
Porque na casa não tinha chão

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O centrão

Jorge Chaloub*

Se este fosse um fio no Twitter, talvez fosse o caso de começá-lo, como modo de ganhar alguns corações, com o irritante chavão “precisamos falar sobre o centrão”. A questão não passa, todavia, pela quantidade de textos e menções ao termo. Fala-se muito sobre o centrão, que se tornou, aliás, um dos termos mais utilizados para a análise da política brasileira contemporânea. Frequentemente se atribuem a ele características ambíguas e uma capacidade explicativa quase irrestrita, que em alguns casos se confunde com o próprio sistema político brasileiro: o centrão seria a forma “típica” da política brasileira. A partir  das narrativas mais corriqueiras, vê-se a imagem de um personagem ao mesmo tempo coeso, sendo capaz de pautar a política nacional, e facilmente cooptado por pequenos interesses individuais de parlamentares, marca de um “fisiologismo” que supostamente implicaria na ausência de identidade ideológica ou contrariaria certa narrativa da “responsabilidade fiscal”. Sigamos alguns desses argumentos.

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Os números que se foram

João Dulci*

Pernalonga, quase sempre no início dos seus desenhos, saía de um buraco na terra e dizia: sabia que tínhamos que ter virado à esquerda em Albuquerque. A partir daí, dava uma merda federal. Em nosso país, escolhemos virar à direita em Albuquerque, por uma série de razões que esta revista já expôs às centenas. A depender do autor do texto, o peso recai mais ou menos sobre este ou aquele critério, mas em geral sabemos o que aconteceu. Se as causas já foram mapeadas, estamos agora analisando as consequências. Creio que a mais visível delas sejam as centenas de milhares de mortos no país.

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O veneno necessário: o STF e a prisão de Daniel Silveira

Jorge Chaloub*

Abandonemos as ilusões de normalidade. Já estamos há algum tempo no terreno da exceção, naturalizada em meio às ruínas da ordem de 1988. Seja por decisões oportunísticas ou pelo protagonismo de atores de trajetórias claramente autoritárias, há hoje uma inegável naturalização de práticas antidemocráticas e um desprezo amplo pelas instituições vigentes.  Não vivemos, por certo, uma ditadura explícita, como a de 1964, mas há um evidente processo de desdemocratização em curso. Qualquer análise da prisão de Daniel Silveira que não leve em consideração esse cenário dificilmente ultrapassará a repetição de platitudes sobre os direitos e garantias individuais. O vídeo do deputado é mais um momento de uma longa série de ataques e ameaças à ordem democrática pela coalizão bolsonarista, na qual Silveira se coloca entre os mais explicitamente fascistas.

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A rotina em meio à catástrofe: notas sobre a eleição de Arthur Lira

Jorge Chaloub*

A influência do Governo Federal e a vitória de candidatos habilidosos na política interna do parlamento são a regra nas eleições para a presidência da Câmara dos Deputados[1]. Em tempos excepcionais, entretanto, eventos corriqueiros ganham sentidos diversos e seguir a rotina se torna uma adesão tácita ao status quo. Os deputados que continuaram normalmente suas rotinas parlamentares nos idos de abril de 1964 sem dúvida conferiram normalidade ao golpe. O contexto atual é diverso e não temos um marco tão explícito de ruptura democrático como naquele momento. Não resta dúvida, contudo, que a eleição de Arthur Lira é mais um capítulo da cumplicidade das elites políticas brasileiras com o autoritarismo.

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