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Jorge Chaloub

A seleção e o futebol

João Dulci*

Jorge Chaloub escreveu nessa prestigiosa (checar essa informação) revista online uma ótima análise com algumas razões por que as pessoas se afastaram da seleção como time a torcer. Concordo com todas as abordagens, apesar dos arroubos em branco e preto. Um dos pontos que, por questões de objetivo, passa sem maior análise é o jogo jogado. Recentemente, o ex-atacante e atual comentarista inglês Gary Lineker, que disputou as copas de 1986 e 1990 com razoável destaque, publicou num tuíte uma frase mais ou menos como “estamos parecendo o Brasil jogando”, falando da Inglaterra. Algo distante do nosso presente.

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A seleção e o Brasil

Jorge Chaloub*

“Na torcida são milhões de treinadores, cada um já escalou a Seleção, o verde e o amarelo são as cores, que a gente pinta no coração”.

Ainda consigo cantar inteira a música da Globo para a Copa de 1994. Também lembro de cada um dos gols, do pênalti batido pelo esquecido Raí, na estreia contra a Rússia, até as cobranças na disputa de pênaltis da final contra a Itália. Eu tinha então dez anos e, apesar do futebol nem sempre brilhante, a Seleção era tão fascinante quanto o Botafogo, o que não é pouco, ao menos para mim. Talvez a ela ainda tenha algo de mágico para as crianças de dez anos de hoje, mas é difícil não pensar que muito mudou.

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As urnas e as armas

Jorge Chaloub*

A decisão da cúpula militar sobre o caso Pazuello é uma importante inflexão no já trágico cenário atual. Ela aponta não apenas para a atual conjuntura, mas aumenta as possibilidades de que venhamos a enfrentar uma violenta eleição em 2022, marcada pelo risco cada vez maior de um golpe. No próximo ano, o olhar se voltará não só para as urnas, mas também para as armas, em enredo que por si só já expõe a dimensão do autoritarismo no Brasil contemporâneo.

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O centrão

Jorge Chaloub*

Se este fosse um fio no Twitter, talvez fosse o caso de começá-lo, como modo de ganhar alguns corações, com o irritante chavão “precisamos falar sobre o centrão”. A questão não passa, todavia, pela quantidade de textos e menções ao termo. Fala-se muito sobre o centrão, que se tornou, aliás, um dos termos mais utilizados para a análise da política brasileira contemporânea. Frequentemente se atribuem a ele características ambíguas e uma capacidade explicativa quase irrestrita, que em alguns casos se confunde com o próprio sistema político brasileiro: o centrão seria a forma “típica” da política brasileira. A partir  das narrativas mais corriqueiras, vê-se a imagem de um personagem ao mesmo tempo coeso, sendo capaz de pautar a política nacional, e facilmente cooptado por pequenos interesses individuais de parlamentares, marca de um “fisiologismo” que supostamente implicaria na ausência de identidade ideológica ou contrariaria certa narrativa da “responsabilidade fiscal”. Sigamos alguns desses argumentos.

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O veneno necessário: o STF e a prisão de Daniel Silveira

Jorge Chaloub*

Abandonemos as ilusões de normalidade. Já estamos há algum tempo no terreno da exceção, naturalizada em meio às ruínas da ordem de 1988. Seja por decisões oportunísticas ou pelo protagonismo de atores de trajetórias claramente autoritárias, há hoje uma inegável naturalização de práticas antidemocráticas e um desprezo amplo pelas instituições vigentes.  Não vivemos, por certo, uma ditadura explícita, como a de 1964, mas há um evidente processo de desdemocratização em curso. Qualquer análise da prisão de Daniel Silveira que não leve em consideração esse cenário dificilmente ultrapassará a repetição de platitudes sobre os direitos e garantias individuais. O vídeo do deputado é mais um momento de uma longa série de ataques e ameaças à ordem democrática pela coalizão bolsonarista, na qual Silveira se coloca entre os mais explicitamente fascistas.

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A rotina em meio à catástrofe: notas sobre a eleição de Arthur Lira

Jorge Chaloub*

A influência do Governo Federal e a vitória de candidatos habilidosos na política interna do parlamento são a regra nas eleições para a presidência da Câmara dos Deputados[1]. Em tempos excepcionais, entretanto, eventos corriqueiros ganham sentidos diversos e seguir a rotina se torna uma adesão tácita ao status quo. Os deputados que continuaram normalmente suas rotinas parlamentares nos idos de abril de 1964 sem dúvida conferiram normalidade ao golpe. O contexto atual é diverso e não temos um marco tão explícito de ruptura democrático como naquele momento. Não resta dúvida, contudo, que a eleição de Arthur Lira é mais um capítulo da cumplicidade das elites políticas brasileiras com o autoritarismo.

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2022 visto de 2020: o centro como nova “nova direita”

Jorge Chaloub*

2020 fala mais sobre a próxima eleição nacional por meio dos discursos, e do modo pelo qual os atores políticos interpretam as tendências da sociedade, do que pela simples divisão de preferências partidárias. Por um lado, as lógicas locais de toda eleição municipal sugerem juízo e caldo de galinha para generalizações sobre os resultados. Muitos dos partidos tomados como vitoriosos na maior parte das análises, por outro lado, são bem menos orgânicos do que se supõe. O fato de que as quatro maiores vitórias do DEM nas eleições – Rio, Salvador, Curitiba e Florianópolis – vieram com nomes que ingressaram no partido depois de 2018 expõe a dimensão problemática de tomar o pertencimento partidário como sinal inequívoco de determinado rumo em 2022. O centrão atua muitas vezes como bloco organizado no Congresso Nacional, mas isso não implica uma atuação coesa em todos os debates sociais e ou em momentos eleitorais.

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O fim de um mundo

Jorge Chaloub*

Minha primeira lembrança de Maradona é como nome. Em meio às confusas memórias da descoberta do futebol, ele surgia das muitas palavras entreouvidas na Copa de 1990 não apenas como sinônimo de gênio, mas enquanto modelo de jogador de futebol. Jogar bola era ser como Maradona, ao menos lá pelos meus seis anos. Isso dizia algo sobre ele, expunha sua capacidade de criar imagens, se perder em meio a essas imagens e mostrar como o futebol transborda, ou ao menos transbordava, os limites da disputa esportiva.

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Não é só a economia, estúpido! – Alguns pitacos sobre as eleições

Jorge Chaloub*

Eleições podem, e devem, ser descritas por números. Votos, abstenções, candidatos, eleitos, tudo isto é parte central da construção de uma narrativa que dificilmente se sustenta sem esses elementos. O momento atual, aliás, consegue produzir uma grande quantidade de dados com enorme rapidez, de modo que logo temos marcações importantes, ou ao menos vendidas como tal, já que, com alguma frequência, surgem as pautas sobre a “histórica” vitória do mais votado candidato de 28 anos do município de Recursolândia. Sem querer ofender os bravos recursolandeses, primeiros a elegerem um prefeito nessa eleição, por vezes o afã em descrever quantitativamente o processo eleitoral oculta elementos importantes desse evento, como símbolos, narrativas e outros penduricalhos aparentemente menos palpáveis. Sigamos por esse terreno.

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