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Jorge Chaloub

O ministro da nova conciliação

Jorge Chaloub*

Habemus Ministro. Depois de Decottelli, o breve, Renato Feder foi nomeado como quarto titular da pasta da Educação. Dois aspectos da carreira do novo ministro chamam a atenção. A primeira é sua pregação ultraliberal na juventude, condensada no “clássico’ “Carregando o Elefante – como transformar o Brasil no país mais rico do mundo”, escrito em co-autoria com Alexandre Ostrowiecki, no qual Feder defendia uma reforma radical do Estado. No modelo ideal do novo Ministro, a União teria apenas oito ministérios, dentre os quais não haveria lugar para as pastas da Educação e da Saúde. As áreas seriam da competência de agências reguladoras, responsáveis por regular o ensino e a saúde privados, e não haveria  nenhuma escola, universidade ou hospital públicos. A ação do Estado se restringiria à distribuição de vouchers. Continuar lendo “O ministro da nova conciliação”

Escuta Aí – A direita e os corvos

Jorge Chaloub*

Os últimos dias foram marcados por sinais de moderação do governo Bolsonaro. Depois de semanas com frequentes ameaças de golpe, seja por parte do presidente ou do núcleo duro bolsonarista, o silêncio substituiu as bravatas. A coincidência entre a nova postura do presidente e a prisão de Fabrício Queiroz sugere uma relação entre os fatos e aponta para prováveis revelações danosas. O objeto desse pequeno texto não é, todavia, a cumplicidade entre a família Bolsonaro e membros das milícias carioca, mas a resposta das instituições e atores da oposição à direita a essa “nova fase” do Governo Bolsonaro. Continuar lendo “Escuta Aí – A direita e os corvos”

Escuta Aí – A desconfiança ante o juiz caseiro:  a mídia em tempos de crise

Jorge Chaloub*

A mídia tradicional surge hoje como inimiga da ultradireita brasileira contemporânea. A contraposição entre a falsidade das informações do grande jornalismo e a verdade revelada pelas redes sociais é um dos fermentos das hostes bolsonaristas, que, contra todas as evidências, vinculam emissoras como a Rede Globo e jornais como a Folha de São Paulo – ou “Foice de São Paulo”, em sua “novilíngua” – ao comunismo.  As agressões de Bolsonaro à imprensa decorrem das suas concepções fascistas, que não toleram o dissenso, mas também expõem  um plano calculado de construir um terreno próprio de circulação de informações. Não se trata de estratégia restrita ao Brasil. Parte da ultradireita global, como o presidente norte-americano Donald Trump e o militante tradicionalista Steve Bannon, aderem explicitamente a tal caminho. Continuar lendo “Escuta Aí – A desconfiança ante o juiz caseiro:  a mídia em tempos de crise”

A falsa normalidade

Jorge Chaloub*

Parte da incompreensão em torno da reunião ministerial divulgada na última sexta-feira se deve à falta de conhecimento do gênero. Poucos estão habituados a acompanhar “reuniões ministeriais” e, talvez por isso, certas análises parecem tratar o evento como um encontro dos “auxiliares do presidente”, ou do seu círculo íntimo. Mesmo sendo objeto de livre escolha do presidente, ministros são bem mais do que simples aspones, mas representam as faces da coalizão, ou seja, das forças sociais que apoiam o governo. Alguns podem ponderar que não vivemos mais no “presidencialismo de coalizão”, no que eu concordaria. Retruco, porém, que coalizões não são exclusividade da lógica política da Nova República brasileira, hegemônica até o fim do Governo Temer, e sim a marca de todos os tipos de governo, já que nem mesmo monarquias absolutas se apoiam apenas na figura do rei. Continuar lendo “A falsa normalidade”

Toffoli e a relativização da democracia

Jorge Chaloub*

O presidente do STF, José Antonio Dias Toffoli, já construiu um histórico de relativização da democracia. Em outubro de 2018, logo antes do primeiro turno das eleições, o Ministro disse em palestra na Faculdade de Direito da USP[1] preferir “Movimento de 1964” a “Golpe”. Em claro esforço revisionista, a fala culpava as esquerdas pela ação dos militares e interpretava em chave legítima ações de força para preservar supostos fins democráticos. Ontem, no programa Roda Viva, o jurista outra vez nos brindou com uma reflexão do tipo, agora não mais limitada à História brasileira. Em meio a um raciocínio truncado, pontuado com menções equivocadas ao antropólogo Claude Lévi-Strauss, Toffoli respondeu a uma pergunta sobre as ameaças à democracia brasileira com a relativização do próprio conceito de democracia. Ela não seria algo da natureza, como a “família”, mas uma construção da “cultura”. Continuar lendo “Toffoli e a relativização da democracia”

Os Mundos de Aldir

Jorge Chaloub*

“Na rua do Tijolo, bloco 5, aquele de esquina,

morou uma enfermeira com a chama vital de Ana Karenina.

Dirá um dodói que Tolstói era chuva demais pra tão pouca planta.

Ô trouxa, heroínas sem par podem brotar na Rússia ou lá em Água Santa” (Lupicínica)

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Escuta Aí – As esquerdas e o impeachment: um tortuoso processo

Fernando Perlatto e Jorge Chaloub*

Não foram poucos aqueles analistas que anunciaram o fim do governo Bolsonaro após a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça. Na sequência do desgaste da demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde na semana anterior, era factível a previsão de que o governo se esfacelaria sem a presença de seu ministro mais popular. Porém, não foi o que aconteceu até o momento. Pesquisa divulgada recentemente pelo Datafolha mostra que, apesar dos desgastes sucessivos, o governo Bolsonaro continua com um colchão de apoio considerável em parte significativa da população. Um terço dos brasileiros (33%) considera seu desempenho ótimo ou bom. Mesmo que os efeitos das ações políticas, como a demissão de Moro e Mandetta, nem sempre sejam imediatos, e que se possa questionar a acuidade de pesquisas de opinião para prever mudanças súbitas de cenários políticos, trata-se de dado que merece ser considerado. Continuar lendo “Escuta Aí – As esquerdas e o impeachment: um tortuoso processo”

Escuta Aí – A partida do fiador

Jorge Chaloub*

As análises sobre a demissão de Sérgio Moro apontam quase unanimemente para um novo momento no governo Bolsonaro. Em regra, o argumento se concentra na popularidade do ex-juiz, que ao menos rivalizaria, se não ultrapassaria, a do Presidente. Para compreender o impacto dessa decisão, penso, contudo, que devemos ir além e refletirmos sobre o lugar do ex-ministro na coalizão bolsonarista. Vamos ao nosso ponto: Moro era o principal fiador simbólico do governo Bolsonaro. Sem a Lava-Jato, e o judiciarismo que a antecede e ultrapassa, não haveria bolsonarismo tal como o conhecemos[1].

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Escuta Aí – O que fazer?

Jorge Chaloub*

A história brasileira é pródiga em golpismos, ataques a minorias e à democracia. Mesmo dentre esse cenário, não é fácil encontrar analogias históricas para retratar Jair Bolsonaro. Se sua violência verbal ultrapassa até mesmo os ditadores do pós-1964, seu desprezo por qualquer ideia de democracia encontra poucos paralelos em nossa vida pública. Entre os tantos crimes de responsabilidade da longa lista do Presidente, talvez o de ontem seja o mais grave. Descrevamos com um mínimo de precisão os fatos: o Presidente discursou para manifestantes que defendem a instalação de uma ditadura no Brasil, com o fechamento do Congresso e do Judiciário, e explicitamente apoiou esse caminho. Tudo embasado em um discurso onde ele reivindica o lugar de intérprete privilegiado dos interesses maiores da pátria, dos desejos do povo e da vontade divina. No mundo de Bolsonaro, qualquer negociação seria uma traição, pois munido da revelação religiosa e patriótica o único caminho honrado é impor aos outros poderes essa verdade. Continuar lendo “Escuta Aí – O que fazer?”

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