Busca

ESCUTA.

Tag

Diogo Tourino de Sousa

Meias-verdades incômodas

Diogo Tourino de Sousa*

Há um aspecto da personalidade do xerife Bell, interpretado por Tommy Lee Jones no longa Onde os fracos não têm vez dos irmãos Coen, que sempre me intrigou: o modo como ele aparentemente se preserva. Mesmo diante das evidências da maldade em estado bruto, avançada na trama pelo assassino de aluguel Anton Chigurh, uma espécie de psicótico desprovido de senso humor e piedade, que ganhou vida nas telas no rosto incomodamente constante e quase inexpressivo de Javier Bardem, Bell parece insistir em olhar apenas até onde é capaz de suportar.

Continuar lendo “Meias-verdades incômodas”

Indiferença, assimetria e barbarismo: três exemplos de um mesmo Brasil

Diogo Tourino de Sousa*

Detido pela Milícia fascista em dezembro de 1943, o químico italiano Primo Levi (1919-1987) foi deportado para Auschwitz no início do ano seguinte. Parte da terrível experiência vivida nos campos de concentração foi relatada pelo autor num livro devastador. Continuar lendo “Indiferença, assimetria e barbarismo: três exemplos de um mesmo Brasil”

Contra o público

Diogo Tourino de Sousa*

A tragédia brasileira foi retratada com primor pelo ensaio de Kléber Mendonça Filho, O som ao redor (2012). No drama, um bairro de classe média da zona sul da cidade do Recife tem sua rotina alterada com a chegada de uma milícia de rua, que oferece segurança aos moradores em troca de remuneração. Continuar lendo “Contra o público”

O “príncipe” também erra

Diogo Tourino de Sousa*

Foi Maquiavel quem nos ensinou que a política é, sobretudo, o lugar do conflito. Ávido em transmitir o que ele definia como a sabedoria das coisas modernas, o florentino mostrou, a partir de uma despojada interpretação do livro da história, que o poder é sempre um lugar em disputa. Ele, pensando enquanto um lugar teórico, carrega consigo o conflito inerente ao seu exercício, cabendo ao “príncipe” a constante prática da sua defesa.

Continuar lendo “O “príncipe” também erra”

Mito à brasileira

Jorge Chaloub e Diogo Tourino de Sousa*

O uso do termo “mito” expõe, sem intenção, os fundamentos da força política do candidato à Presidência da República pelo Partido Social Liberal (PSL), Jair Bolsonaro. O deputado federal carioca, atualmente em sua sétima legislatura, cresce em popularidade a partir da conhecida estratégia de “construção mítica” da personalidade pública. Continuar lendo “Mito à brasileira”

A constância do absurdo

Diogo Tourino de Sousa*

A definição do Dicionário Houaiss é lapidar. Absurdo como adjetivo significa “aquilo que é destituído de sentido, de racionalidade”, ou aquilo “que não se enquadra em regras e condições estabelecidas”[i]. Penso que o momento vivido pelo país pode, com dose tolerável de imaginação e sem muito exagero, ser descrito como a constância do absurdo, ao ponto em que parâmetros e limites de qualquer ordem se encontram rarefeitos. Continuar lendo “A constância do absurdo”

Embotamento

Diogo Tourino de Sousa*

A leitura da obra de Gabriel García Márquez é inescapável na formação de qualquer espírito humanista. O escritor colombiano, falecido há pouco mais de três anos, destacou-se ao longo do século XX num gênero que a muitos apraz: o realismo fantástico. Continuar lendo “Embotamento”

De mal a pior

Diogo Tourino de Sousa*

Há alguns dias um amigo me disse que acreditava faltar ao Brasil uma “Revolução Francesa” para que o país retomasse o caminho do moderno. Sem desconsiderar os méritos do argumento, me pus de imediato a pensar nos obstáculos para que um país como o nosso testemunhasse um evento dessa magnitude. Continuar lendo “De mal a pior”

O salto, o risco e suas consequências

Diogo Tourino de Sousa*

O cientista político italiano Norberto Bobbio (1909-2004) se destacou, ao longo do século XX, como um dos mais argutos defensores das “regras do jogo” democrático. Ativo no embate de ideias, Bobbio foi além da profissão de professor e do papel de escritor, ocupando, ainda, postos na política representativa do seu país, que à época de sua juventude atravessou tempos assumidamente não democráticos. Continuar lendo “O salto, o risco e suas consequências”

WordPress.com.

Acima ↑