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Diogo Tourino de Sousa

Embotamento

Diogo Tourino de Sousa*

A leitura da obra de Gabriel García Márquez é inescapável na formação de qualquer espírito humanista. O escritor colombiano, falecido há pouco mais de três anos, destacou-se ao longo do século XX num gênero que a muitos apraz: o realismo fantástico. Continuar lendo “Embotamento”

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De mal a pior

Diogo Tourino de Sousa*

Há alguns dias um amigo me disse que acreditava faltar ao Brasil uma “Revolução Francesa” para que o país retomasse o caminho do moderno. Sem desconsiderar os méritos do argumento, me pus de imediato a pensar nos obstáculos para que um país como o nosso testemunhasse um evento dessa magnitude. Continuar lendo “De mal a pior”

O salto, o risco e suas consequências

Diogo Tourino de Sousa*

O cientista político italiano Norberto Bobbio (1909-2004) se destacou, ao longo do século XX, como um dos mais argutos defensores das “regras do jogo” democrático. Ativo no embate de ideias, Bobbio foi além da profissão de professor e do papel de escritor, ocupando, ainda, postos na política representativa do seu país, que à época de sua juventude atravessou tempos assumidamente não democráticos. Continuar lendo “O salto, o risco e suas consequências”

Boi de piranha

Diogo Tourino de Sousa*

No regionalismo brasileiro, “boi de piranha” é aquele entregue ao sacrifício pelos boiadeiros em rio de piranha, para que o restante da manada possa seguir seu curso em segurança. Creio ser esta a melhor descrição para a sorte do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), menos por vontade própria, claro, e mais pela força das circunstâncias. Continuar lendo “Boi de piranha”

Tomar partido

Diogo Tourino de Sousa*

Ao descrever a evolução das democracias ocidentais, Tocqueville anteviu, com dose considerável de brilhantismo, os infortúnios que a marcha inexorável da igualdade carregava. Segundo ele, o processo de igualização da vida na modernidade, do qual a Revolução Francesa figurava como maior testemunha, trazia no seu germe o perigo do aparecimento de formas “anacrônicas” de política. Continuar lendo “Tomar partido”

O muro

Diogo Tourino de Sousa*

Na semana que antecedeu a votação da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara dos Deputados, o Governo do Distrito Federal, com a recomendação da mesa diretora da Câmara, ergueu um “muro” separando a esplanada dos ministérios ao meio. Continuar lendo “O muro”

[Escuta Especial Conjuntura] Gata em teto de zinco quente

Diogo Tourino de Sousa*

Assisti quando garoto uma montagem de Gata em teto de zinco quente, peça do grande dramaturgo norte-americano Tennessee Williams, datada de 1955. No enredo, a bela Maggie vive um casamento infeliz com Brick, filho alcóolatra do patriarca milionário Harvey Pollitt, acometido por um câncer inoperável que vem motivando a disputa por sua herança. Continuar lendo “[Escuta Especial Conjuntura] Gata em teto de zinco quente”

O juízo do gosto e a reserva de legitimidade democrática

Diogo Tourino de Sousa*

A conjuntura não é transparente aos olhos do observador contemporâneo. Nunca foi. Ainda que certa confusão analítica, algum delírio militante e muita obsessão reacionária concorram para sugerir precisamente o oposto, não podemos negligenciar esse desafio, sob pena de padecer no mundo de “certezas” que vem sangrando o país. Continuar lendo “O juízo do gosto e a reserva de legitimidade democrática”

A indiferença

Diogo Tourino de Sousa

A leitura de O homem que amava os cachorros, romance histórico de Leonardo Padura sobre a trajetória de Leon Trotsky e seu assassino, o militante espanhol Ramón Mercader, ocasiona momentos perturbadores de reflexão acerca da ação política e sua dificuldade de apreender o contexto. Como é sabido, Trotsky foi perseguido pelo regime stalinista, tornando-se um incômodo refugiado pelos países por onde passou, até encontrar tragicamente seu destino no México, quando foi assassinado. Malgrado a possibilidade de relermos sua luta e o modo como interpretou a revolução, no romance de Padura somos convidados a sentir suas angústias, a conviver com suas dúvidas ao ponto em que o próprio avançar da causa proletária cobra revisões. Continuar lendo “A indiferença”

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