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Diogo Tourino de Sousa

Contra o público

Diogo Tourino de Sousa*

A tragédia brasileira foi retratada com primor pelo ensaio de Kléber Mendonça Filho, O som ao redor (2012). No drama, um bairro de classe média da zona sul da cidade do Recife tem sua rotina alterada com a chegada de uma milícia de rua, que oferece segurança aos moradores em troca de remuneração. Continuar lendo “Contra o público”

O “príncipe” também erra

Diogo Tourino de Sousa*

Foi Maquiavel quem nos ensinou que a política é, sobretudo, o lugar do conflito. Ávido em transmitir o que ele definia como a sabedoria das coisas modernas, o florentino mostrou, a partir de uma despojada interpretação do livro da história, que o poder é sempre um lugar em disputa. Ele, pensando enquanto um lugar teórico, carrega consigo o conflito inerente ao seu exercício, cabendo ao “príncipe” a constante prática da sua defesa.

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Mito à brasileira

Jorge Chaloub e Diogo Tourino de Sousa*

O uso do termo “mito” expõe, sem intenção, os fundamentos da força política do candidato à Presidência da República pelo Partido Social Liberal (PSL), Jair Bolsonaro. O deputado federal carioca, atualmente em sua sétima legislatura, cresce em popularidade a partir da conhecida estratégia de “construção mítica” da personalidade pública. Continuar lendo “Mito à brasileira”

A constância do absurdo

Diogo Tourino de Sousa*

A definição do Dicionário Houaiss é lapidar. Absurdo como adjetivo significa “aquilo que é destituído de sentido, de racionalidade”, ou aquilo “que não se enquadra em regras e condições estabelecidas”[i]. Penso que o momento vivido pelo país pode, com dose tolerável de imaginação e sem muito exagero, ser descrito como a constância do absurdo, ao ponto em que parâmetros e limites de qualquer ordem se encontram rarefeitos. Continuar lendo “A constância do absurdo”

Embotamento

Diogo Tourino de Sousa*

A leitura da obra de Gabriel García Márquez é inescapável na formação de qualquer espírito humanista. O escritor colombiano, falecido há pouco mais de três anos, destacou-se ao longo do século XX num gênero que a muitos apraz: o realismo fantástico. Continuar lendo “Embotamento”

De mal a pior

Diogo Tourino de Sousa*

Há alguns dias um amigo me disse que acreditava faltar ao Brasil uma “Revolução Francesa” para que o país retomasse o caminho do moderno. Sem desconsiderar os méritos do argumento, me pus de imediato a pensar nos obstáculos para que um país como o nosso testemunhasse um evento dessa magnitude. Continuar lendo “De mal a pior”

O salto, o risco e suas consequências

Diogo Tourino de Sousa*

O cientista político italiano Norberto Bobbio (1909-2004) se destacou, ao longo do século XX, como um dos mais argutos defensores das “regras do jogo” democrático. Ativo no embate de ideias, Bobbio foi além da profissão de professor e do papel de escritor, ocupando, ainda, postos na política representativa do seu país, que à época de sua juventude atravessou tempos assumidamente não democráticos. Continuar lendo “O salto, o risco e suas consequências”

Boi de piranha

Diogo Tourino de Sousa*

No regionalismo brasileiro, “boi de piranha” é aquele entregue ao sacrifício pelos boiadeiros em rio de piranha, para que o restante da manada possa seguir seu curso em segurança. Creio ser esta a melhor descrição para a sorte do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), menos por vontade própria, claro, e mais pela força das circunstâncias. Continuar lendo “Boi de piranha”

Tomar partido

Diogo Tourino de Sousa*

Ao descrever a evolução das democracias ocidentais, Tocqueville anteviu, com dose considerável de brilhantismo, os infortúnios que a marcha inexorável da igualdade carregava. Segundo ele, o processo de igualização da vida na modernidade, do qual a Revolução Francesa figurava como maior testemunha, trazia no seu germe o perigo do aparecimento de formas “anacrônicas” de política. Continuar lendo “Tomar partido”

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