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Política

Confidências de uma telespectadora

Raquel Guilherme de Lima*

Gugu est mort. Morto de morte estúpida. Uma lástima. Assim, lástima no sentido humano especista cristão que nos vincula, não no sentido, digamos, de lastimar a partida desse ser humano em específico. Com todo o respeito que o catolicismo me ensinou, admito que não tinha grande estima pelo Gugu e muito menos reconhecia nele substância de estima indispensável. Continuar lendo “Confidências de uma telespectadora”

Essa gente, de Chico Buarque

Leonardo Octavio Belinelli de Brito*

 À primeira vista, Essa gente, sexto romance de Chico Buarque, parece ser uma novela escrita em forma de diário pelo protagonista, o escritor Manuel Duarte, no qual são anotadas relatos e mensagens enviadas e recebidas entre dezembro de 2016 e setembro de 2019. Porém, não se trata apenas disso, pois o livro contém passagens em que outros personagens são autores dos trechos. No procedimento, há um elemento caleidoscópico que evoca o que o próprio Chico Buarque chamou se “onirismo desperto”[2], também presente, de formas diferentes, em romances como Estorvo e Leite derramado. Continuar lendo “Essa gente, de Chico Buarque”

O futuro como memória do passado: Reflexões sobre “O Eternauta 1969”

Matheus Vitorino Machado*

Oesterheld, em Maio de 1969, receberia em seu escritório em Buenos Aires a surpreendente visita de um viajante do tempo. Curioso, ainda que confuso, o escritor argentino se põe a escutar o viajante que se autointitula “Eternauta”. Vindo do futuro, Juan Salvo começa a narrar história que tem início em seu domicílio em Buenos Aires, onde se encontrava junto de seus amigos, com quem jogava cartas, e de sua esposa e filha. Repentinamente, contudo, um barulho interrompe as atividades da casa. O grupo se dirige a janela, que permanece fechada, para avistar a terrível cena: uma nevasca atinge a capital argentina; seus flocos matam tudo que tocam. Continuar lendo “O futuro como memória do passado: Reflexões sobre “O Eternauta 1969””

Um alento em meio a tormenta

Jorge Chaloub*

Os símbolos são uma dimensão inescapável do mundo político. Eles atuam sobre o modo como os atores entendem seu lugar e suas ações, de forma a delinear os limites da própria conjuntura. A capacidade de condensar experiências e expectativas, inerente ao símbolo, faz com que ele seja capaz de influir no tempo e no espaço da disputa política, munido da eventual capacidade de abrir linhas de fuga no tempo e no espaço. Continuar lendo “Um alento em meio a tormenta”

Homenagem a Wanderley Guilherme dos Santos

 

Marcelo Sevaybricker Moreira

Marcia Rangel Candido

Paulo Henrique Paschoeto Cassimiro

Nara Salles

Jorge Chaloub

Diogo Tourino de Sousa

Fernando Perlatto

 A força de uma obra passa, em parte, pela sua duração no tempo. Dentre os possíveis indícios dessa virtude, está sua capacidade de atingir e influenciar distintas gerações. Com base nessa ideia, a Escuta propôs que alguns jovens acadêmicos, ainda no início de suas carreiras como professores e pesquisadores, escrevessem sobre a obra de Wanderley Guilherme dos Santos. Desses convites surgiu uma grande diversidade de relatos, que vão do tom mais pessoal, de quem conviveu com o homenageado, a distintos olhares sobre a sua obra. Continuar lendo “Homenagem a Wanderley Guilherme dos Santos”

O assombro antirrepublicano de nosso tempo

Rodrigo Franco da Costa*

Com a queda da popularidade do presidente da república Jair Bolsonaro[1], é cada vez mais comum observarmos variadas críticas sobre sua pessoa e seu governo. Antes mesmo do fim das eleições de 2018, as demonstrações de rejeição de muitos grupos já eram bastante claras. Continuar lendo “O assombro antirrepublicano de nosso tempo”

As estruturas elementares do genocídio: o tiro ao alvo humano entre os sacoiracs – Antropologia Política (Pesquisa em andamento)

Eduardo Mares Bisnetto*

Em país distante, de um planeta plano como uma cova rasa, a divisão de responsabilidades se dá assim: o presidente-rei-autocrata, de quem já muito descobrimos, manda em tudo o que vê. Por ser levemente míope, ele delega algumas funções para alguns de seus súditos privilegiados. São governantes de nível intermediário, que os habitantes daquele país chamam de governadores. Continuar lendo “As estruturas elementares do genocídio: o tiro ao alvo humano entre os sacoiracs – Antropologia Política (Pesquisa em andamento)”

O conceito de necropolítica: ensaio de alguns porquês e as razões de agora

Simone Gomes*

 “A gente tá sendo atacado.”

Bacurau, 2019.

[1]Cena 1:

É verão, julho de 2014, Eric Garner, um estadunidense de 44 anos, morador de Staten Island, Nova Iorque, EUA, implora para um policial do Departamento de Polícia de Nova Iorque (NYPD), em frente à uma loja, que pare de perturbá-lo. Essa não seria a primeira vez que o policial procura o horticulturista, negro, pai de seis filhos e avô de treze netos, nos arredores. Continuar lendo “O conceito de necropolítica: ensaio de alguns porquês e as razões de agora”

A cruzada dos velhos vs a cruzada das crianças

Matheus Vitorino Machado*

Ainda que pareça contraintuitivo, os populares e onipresentes super-heróis nem sempre foram recebidos com o entusiasmo e carinho dedicados a suas versões cinematográficas. Sua mídia de origem, as histórias em quadrinhos norte-americanas, foi alvo de constante e intensa censura. Continuar lendo “A cruzada dos velhos vs a cruzada das crianças”

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