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João Martins Ladeira

Uma Falsa Maturidade

João Martins Ladeira*

Vingadores: Ultimato flerta com a complexidade que ressuscitaria o blockbuster, mas suas pretensões são também sua desgraça.

 Já se repetiu bastante a ideia, atribuída a Spielberg, que enxergava nos super-heróis o substituto do faroeste. Existe aí algo de verdade, assim como de exagero – exatamente a mistura que define Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame, 2019, de Anthony e Joe Russo). Continuar lendo “Uma Falsa Maturidade”

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A Solidão da Espera

João Martins Ladeira*

É bastante engenhoso o roteiro de Em Trânsito (Transit, 2018, de Christian Petzold). Certo homem assume a identidade de um escritor morto cuja fama lhe garante passagem e visto para longe de uma perseguição política que, cedo ou tarde, vai devorá-lo. Porém, sua fuga o leva de encontro a ninguém menos que a esposa daquele de quem tomou o nome, num relacionamento entre ambos no qual a moça desconhece tal troca de identidade.

Continuar lendo “A Solidão da Espera”

Frágeis Enigmas

João Martins Ladeira*

As críticas a Albatroz (de Daniel Augusto, 2019) não se cansaram de afirmar a dificuldade do filme, associando esse seu traço à referência, enunciada pelo próprio diretor, a Estrada Perdida (Lost Highway, 1997, de David Lynch). Essa carência de definições sobre “o que está ocorrendo” convive com uma estrutura bastante rígida, por sobre a qual, contudo, não parece impossível distinguir um sentido, incompreensível apenas na aparência. Continuar lendo “Frágeis Enigmas”

Pequena irrealidade palpável

João Martins Ladeira*

I

Para um filme sobre viagens ao espaço, são raros os momentos em O Primeiro Homem (First Man, 2018, de Damien Chazelle) no qual desfrutamos o espetáculo prometido. Mantidos boa parte do tempo no interior dos claustrofóbicos módulos espaciais, somente uma vez ou outra vemos a nave pela perspectiva espetacular de um olho flutuando no espaço. Continuar lendo “Pequena irrealidade palpável”

Prazeres incômodos: O Doutrinador e o limite da barbárie

João Martins Ladeira*

O Doutrinador (2018, de Gustavo Bonafé e Fabio Mendonça) é, sem dúvida, mais uma entre as muitas variações sobre a mítica da Lava Jato, nas infinitas derivações possíveis dessa fábula sobre a ordem que, finalmente, conseguiu-se elaborar no Brasil. Movimento raro esse no qual se consegue construir uma mitologia para uma sociedade – ou pelo menos para uma parte dela. Continuar lendo “Prazeres incômodos: O Doutrinador e o limite da barbárie”

O WhatsApp não pode parar

João Martins Ladeira*

O debate público sobre a indicação de Moro para o Ministério da Justiça (e Segurança) se concentrou, de fato, em aspectos essenciais, mas não foi completo. Continuar lendo “O WhatsApp não pode parar”

Lembranças dos anos 1990: Um artífice maléfico

João Martins Ladeira*

I

Um artesão irônico paira sobre Barton Fink – Delírios de Hollywood (Barton Fink, 1991, de Joel e Ethan Coen). Esse artífice se sobrepõe a todos os demais artistas apresentados ao longo da narrativa. É ele quem põe em cena sequências de acontecimentos carentes de explicação. Ao longo da película, algumas delas cumprem um papel de máxima importância. Continuar lendo “Lembranças dos anos 1990: Um artífice maléfico”

Um Espetáculo Genuinamente Nacional

João Martins Ladeira*

O Succès de scandale parecia fora de moda, mas os tempos andam estranhos, e Roger Waters terminou envolvido num belo anacronismo. É curioso: não teria sido a sua música a despertar polêmica; e, neste caso, algum desavisado poderia considerá-la até bastante anódina. Continuar lendo “Um Espetáculo Genuinamente Nacional”

Pulsões Ambíguas

João Martins Ladeira*

Você Nunca Esteve Realmente Aqui (You Were Never Really Here, 2017, de Lynne Ramsay) comporta uma quantidade notável de dubiedades. Dentre elas, a mais importante se refere aos elos entre certas imagens e o que elas, supõe-se, enunciariam. Parece difícil indicar a que se vinculam algumas cenas recorrentemente intercaladas aos atos de Joe (Joaquin Phoenix): se à memória ou à alucinação.

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