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Direitas

2022 visto de 2020: o centro como nova “nova direita”

Jorge Chaloub*

2020 fala mais sobre a próxima eleição nacional por meio dos discursos, e do modo pelo qual os atores políticos interpretam as tendências da sociedade, do que pela simples divisão de preferências partidárias. Por um lado, as lógicas locais de toda eleição municipal sugerem juízo e caldo de galinha para generalizações sobre os resultados. Muitos dos partidos tomados como vitoriosos na maior parte das análises, por outro lado, são bem menos orgânicos do que se supõe. O fato de que as quatro maiores vitórias do DEM nas eleições – Rio, Salvador, Curitiba e Florianópolis – vieram com nomes que ingressaram no partido depois de 2018 expõe a dimensão problemática de tomar o pertencimento partidário como sinal inequívoco de determinado rumo em 2022. O centrão atua muitas vezes como bloco organizado no Congresso Nacional, mas isso não implica uma atuação coesa em todos os debates sociais e ou em momentos eleitorais.

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Jair Frias

André Rodrigues e Andrés Del Río*

O editorial da Folha de São Paulo da última sexta, 21 de agosto de 2020, intitulado “Jair Rousseff”, é a primeira carta de apoio do veículo de comunicação para a campanha de Bolsonaro à reeleição. O texto é um elogio dissimulado ao atual presidente. O maior elogio possível a uma figura da estatura daquele que é o pior de nós. Ponto.

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O ministro da nova conciliação

Jorge Chaloub*

Habemus Ministro. Depois de Decottelli, o breve, Renato Feder foi nomeado como quarto titular da pasta da Educação. Dois aspectos da carreira do novo ministro chamam a atenção. A primeira é sua pregação ultraliberal na juventude, condensada no “clássico’ “Carregando o Elefante – como transformar o Brasil no país mais rico do mundo”, escrito em co-autoria com Alexandre Ostrowiecki, no qual Feder defendia uma reforma radical do Estado. No modelo ideal do novo Ministro, a União teria apenas oito ministérios, dentre os quais não haveria lugar para as pastas da Educação e da Saúde. As áreas seriam da competência de agências reguladoras, responsáveis por regular o ensino e a saúde privados, e não haveria  nenhuma escola, universidade ou hospital públicos. A ação do Estado se restringiria à distribuição de vouchers. Continuar lendo “O ministro da nova conciliação”

Escuta Aí – A direita e os corvos

Jorge Chaloub*

Os últimos dias foram marcados por sinais de moderação do governo Bolsonaro. Depois de semanas com frequentes ameaças de golpe, seja por parte do presidente ou do núcleo duro bolsonarista, o silêncio substituiu as bravatas. A coincidência entre a nova postura do presidente e a prisão de Fabrício Queiroz sugere uma relação entre os fatos e aponta para prováveis revelações danosas. O objeto desse pequeno texto não é, todavia, a cumplicidade entre a família Bolsonaro e membros das milícias carioca, mas a resposta das instituições e atores da oposição à direita a essa “nova fase” do Governo Bolsonaro. Continuar lendo “Escuta Aí – A direita e os corvos”

O Historiador do Futuro terá que mirar ainda mais ao Passado

Rafael R. Ioris*

Olhando o Brasil das últimas semanas, parece plausível pensar que o historiador do futuro terá grandes dificuldades em tentar explicar o paradoxo crescente entre a enorme mobilização de amplos e influentes setores da sociedade nacional em oposição ao atual governo e a continuidade de ainda significativos níveis de apoio ao mesmo. E embora editoriais, artigos, análises de jornalistas e acadêmicos venham afirmando, quase à exaustão, a insustentabilidade da continuidade da atual composição de mandatários nas mais altas instâncias de poder da República, sondagens de opinião pública vem apontando de maneira consistente que entre um terço e mesmo metade dos eleitores apoiam a atual administração pública ou se opõe à sua retirada antecipada. Continuar lendo “O Historiador do Futuro terá que mirar ainda mais ao Passado”

Bolsonaro, a obsolescência programada: governo de transição para uma direita legitimada

Andrés del Río e André Rodrigues

Um ano antes das eleições indicamos que a possibilidade de um fascista alcançar o poder era real[1]. Durante as eleições, a ilegalidade foi a norma, e fomos muitos que os denunciamos num grito o que já ninguém queria escutar. No percurso, os militares aumentaram sua presença, da tutela à cooptação do governo. Antes do primeiro mês de vida do des-governo Bolsonaro, tínhamos escrito sobre a inviabilidade de sua proposta de poder[2]. Antes de finalizar o segundo ano de mandato, a chance de Bolsonaro sair do governo cresce a cada dia. Continuar lendo “Bolsonaro, a obsolescência programada: governo de transição para uma direita legitimada”

Escuta Aí – A desconfiança ante o juiz caseiro:  a mídia em tempos de crise

Jorge Chaloub*

A mídia tradicional surge hoje como inimiga da ultradireita brasileira contemporânea. A contraposição entre a falsidade das informações do grande jornalismo e a verdade revelada pelas redes sociais é um dos fermentos das hostes bolsonaristas, que, contra todas as evidências, vinculam emissoras como a Rede Globo e jornais como a Folha de São Paulo – ou “Foice de São Paulo”, em sua “novilíngua” – ao comunismo.  As agressões de Bolsonaro à imprensa decorrem das suas concepções fascistas, que não toleram o dissenso, mas também expõem  um plano calculado de construir um terreno próprio de circulação de informações. Não se trata de estratégia restrita ao Brasil. Parte da ultradireita global, como o presidente norte-americano Donald Trump e o militante tradicionalista Steve Bannon, aderem explicitamente a tal caminho. Continuar lendo “Escuta Aí – A desconfiança ante o juiz caseiro:  a mídia em tempos de crise”

Só destruição, sem arquitetura: o bolsonarismo como desejo de morte

André Rodrigues*

O documentário “Arquitetura da Destruição” (Peter Cohen, 1989) detalha o modo pelo qual o nazismo se estruturou sobre uma sofisticada máquina de propaganda. Diversas análises demonstram como uma racionalidade radical, absoluta, consistia no aspecto central desse regime. Os campos de concentração seriam a expressão máxima dessa racionalidade brutal onde a vida era reduzida a mera quantidade no cálculo genocida. O que vemos em Bolsonaro é um totalitarismo de outra natureza.

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