Busca

ESCUTA.

Tag

Ditadura

Ricardo Piglia, os diários e a ditadura argentina

Fernando Perlatto*

“Neste país a política interfere diretamente na vida íntima” (Os Diários de Emilio Renzi,p.80).

Diários de escritores não são novidades e nem são raros. Há muitos por aí, em diferentes formatos, e para os mais variados gostos. O mercado editorial brasileiro tem se mostrado particularmente aberto a este nicho, com a publicação recente de obras diversas como Diários II, de Susan Sontag (Companhia das Letras, 2016), Diário de viagem, de Camus (Record, 2017), Os diários de Sylvia Plath (Biblioteca Azul, 2017), Diários – 1909-1923, de Kafka (Todavia, 2021) e Os Diários de Virginia Wolf: Diário I – 1915-1918 (Editora Nós, 2021). O mundo latino-americano também tem sido contemplado nesse renovado interesse pela vida íntima dos escritores, como se vê no primoroso O Romance Luminoso, do uruguaio Mario Levrero, lançado em 2018 pela Companhia das Letras.

Continuar lendo “Ricardo Piglia, os diários e a ditadura argentina”

“Os arrependidos” e a luta armada no Brasil

Fernando Perlatto*

Se o período da ditadura civil-militar é considerado como um “passado sensível” – na medida em que os traumas e as feridas abertas referentes àqueles anos ainda não fecharam e continuam a manifestar suas dores no tempo presente –, a luta armada permanece sendo um dos temas mais sensíveis deste passado. À direita e à esquerda, a questão da resistência em armas continua rendendo controvérsias públicas as mais variadas.

Continuar lendo ““Os arrependidos” e a luta armada no Brasil”

Golpe de 1964: compreender sim, repudiar sempre, celebrar jamais

Fernando Perlatto*

Lembro-me perfeitamente quando, em uma tarde de maio de 2014, recebi um telefonema de uma pesquisadora que me convidava para ajudar na elaboração do Relatório Final da Comissão Municipal da Verdade de Juiz de Fora (CMV-JF). Havia ingressado naquele ano como professor do Departamento de História da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e fiquei muito honrado com o convite, sobretudo por saber da seriedade dos trabalhos realizados pela Comissão, coordenados pela sua presidenta, a querida Helena da Motta Salles. Assim como outras comissões da verdade que surgiram em âmbito municipal e estadual, na sequência da instalação da Comissão Nacional da Verdade (CNV), em 2012, durante o mandato da então presidenta Dilma Rousseff, a CMV-JF desenvolveu, em parceria com instituições como a UFJF e a OAB, pesquisas relevantes, cujos resultados foram posteriormente reunidos no livro Memórias da Repressão. Relatório da Comissão Municipal da Verdade de Juiz de Fora, publicado em 2015.

Continuar lendo “Golpe de 1964: compreender sim, repudiar sempre, celebrar jamais”

A Folha de São Paulo, a ditadura e a democracia

Fernando Perlatto*

No último domingo, 28/06, a Folha de São Paulo publicou um caderno especial sobre a ditadura inaugurada com o golpe civil-militar de 1964. O caderno faz parte de uma campanha mais ampla do jornal em defesa da democracia, que tem, entre outras ações, a realização de um curso on-line sobre o regime militar e a adoção até as próximas eleições presidenciais do slogan “Um jornal a serviço da democracia” em substituição àquele adotado desde 1961 “Um jornal a serviço do Brasil”. Continuar lendo “A Folha de São Paulo, a ditadura e a democracia”

O Historiador do Futuro terá que mirar ainda mais ao Passado

Rafael R. Ioris*

Olhando o Brasil das últimas semanas, parece plausível pensar que o historiador do futuro terá grandes dificuldades em tentar explicar o paradoxo crescente entre a enorme mobilização de amplos e influentes setores da sociedade nacional em oposição ao atual governo e a continuidade de ainda significativos níveis de apoio ao mesmo. E embora editoriais, artigos, análises de jornalistas e acadêmicos venham afirmando, quase à exaustão, a insustentabilidade da continuidade da atual composição de mandatários nas mais altas instâncias de poder da República, sondagens de opinião pública vem apontando de maneira consistente que entre um terço e mesmo metade dos eleitores apoiam a atual administração pública ou se opõe à sua retirada antecipada. Continuar lendo “O Historiador do Futuro terá que mirar ainda mais ao Passado”

Entrevista com Luiza Erundina

Cristina Buarque de Hollanda

A entrevista com Luiza Erundina foi feita no gabinete da deputada na cidade de São Paulo, SP em 24 de julho de 2019.

Nas dezenas de entrevistas que conduzi com militantes da causa dos mortos e desaparecidos políticos da ditadura, o nome de Luiza Erundina é um dos poucos – quiçá o único – incontroversos. Continuar lendo “Entrevista com Luiza Erundina”

O futuro como memória do passado: Reflexões sobre “O Eternauta 1969”

Matheus Vitorino Machado*

Oesterheld, em Maio de 1969, receberia em seu escritório em Buenos Aires a surpreendente visita de um viajante do tempo. Curioso, ainda que confuso, o escritor argentino se põe a escutar o viajante que se autointitula “Eternauta”. Vindo do futuro, Juan Salvo começa a narrar história que tem início em seu domicílio em Buenos Aires, onde se encontrava junto de seus amigos, com quem jogava cartas, e de sua esposa e filha. Repentinamente, contudo, um barulho interrompe as atividades da casa. O grupo se dirige a janela, que permanece fechada, para avistar a terrível cena: uma nevasca atinge a capital argentina; seus flocos matam tudo que tocam. Continuar lendo “O futuro como memória do passado: Reflexões sobre “O Eternauta 1969””

Intervenção militar, memórias da ditadura e tempo presente

Fernando Perlatto*

Um dos aspectos que mais chamou a atenção durante a crise que parou o país após a chamada “greve dos caminhoneiros” foi o crescimento de discursos e de palavras de ordem – ainda minoritários, embora barulhentos – em defesa da intervenção militar e da volta à ditadura como solução para a crise política. Continuar lendo “Intervenção militar, memórias da ditadura e tempo presente”

As duas faces da disputa por memória ou sobre como enfrentar um Estado que mata

            Pedro Benetti*

“Fiquei com pena de todos eles, Suzana. Dos que mentem, dos que invejam, dos empertigados, dos ambiciosos, dos que fazem do amor um remédio, um passatempo, um negócio, um paliativo. Continuar lendo “As duas faces da disputa por memória ou sobre como enfrentar um Estado que mata”

WordPress.com.

Acima ↑