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Cultura

Escuta aí – O bolsonarismo e a destruição das políticas culturais no Brasil

Fernando Perlatto*

É muito revoltante que, em meio à pandemia do coronavírus que arrasa o país, tenhamos que testemunhar atônitos ao processo paralelo de desmantelamento da política cultural no Brasil. Continuar lendo “Escuta aí – O bolsonarismo e a destruição das políticas culturais no Brasil”

[Escuta Resenha] Susan Sontag, vida e obra

Fernando Perlatto*

“Ela não tinha uma verdadeira linhagem. E embora muitos moldassem a si mesmos a partir da imagem dela, seu papel nunca seria preenchido de modo convincente de novo: ela criou o molde e em seguida o quebrou” (p.214). Continuar lendo “[Escuta Resenha] Susan Sontag, vida e obra”

[Escuta Resenha – Crise da Democracia] Os engenheiros do caos

Fernando Perlatto*

O documentário Privacidade Hackeada é impactante. Dirigido por Karim Amer e Jehane Noujaim e lançado em 2019 pela Netflix, o filme destrincha a atuação da empresa de consultoria Cambridge Analytica e do Facebook no hackeamento e na venda de informações pessoais para a criação de perfis falsos nas redes sociais, com o intuito de influenciar as eleições norte-americanas de 2016, que resultou na vitória de Donald Trump. Continuar lendo “[Escuta Resenha – Crise da Democracia] Os engenheiros do caos”

Os Mundos de Aldir

Jorge Chaloub*

“Na rua do Tijolo, bloco 5, aquele de esquina,

morou uma enfermeira com a chama vital de Ana Karenina.

Dirá um dodói que Tolstói era chuva demais pra tão pouca planta.

Ô trouxa, heroínas sem par podem brotar na Rússia ou lá em Água Santa” (Lupicínica)

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Um visconde partido ao meio

João Dulci*

Num dia, é ódio e preconiza o genocídio. No outro, arrepende-se, diz-se temente a Deus, às armas, ao povo brasileiro. Num dia, o passado de atleta, a ejaculada carreira militar e a fé protegem-lhe de quaisquer mazelas que uma enfermidade menor venha a lhe acometer. No outro, defende a vida, presente e futura, a responsabilidade e assume a incapacidade débil de lidar com um problema maior que sua sapiência. Num dia odeia a todos: as instituições, o Supremo, o Congresso, ecoando os desejos de uma parcela de evocar passagens das mais sombrias e violentas da história brasileira. No outro, cala um lunático, dizendo que o Supremo e o Congresso têm que estar abertos e, numa livre interpretação que aqui me lanço, diz-se defensor da Constituição de 88, ou do que restou dela (eu acrescento). Continuar lendo “Um visconde partido ao meio”

Palcos de um mundo possível: arte e vida para a próxima década

Gabriela Mitidieri Theophilo*

“Deles, Kundera escreve: ‘os judeus de Terezín não tinham ilusões: viviam na antecâmara da morte, sua vida cultural era mostrada pela propaganda nazista como álibi. Sendo assim, deveriam ter renunciado a essa liberdade precária e enganosa? A resposta que eles deram foi de total clareza. Sua vida, suas criações, suas exposições, seus quartetos, seus amores, todo o leque de suas atividades tinham uma importância incomparavelmente maior que a comédia macabra dos carcereiros. Tal foi a aposta deles’. E ele acrescenta, generalizando: ‘tal deveria ser a nossa’”.

(Laurent Binet, HHhH)
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Caminhos misteriosos: 60 anos de Pickpocket

João Martins Ladeira*

 No mês de aniversário de uma de suas obras-primas, Bresson e sua reflexão cinematográfica sobre a existência ainda se revelam de uma jovialidade notável. Continuar lendo “Caminhos misteriosos: 60 anos de Pickpocket”

Confidências de uma telespectadora

Raquel Guilherme de Lima*

Gugu est mort. Morto de morte estúpida. Uma lástima. Assim, lástima no sentido humano especista cristão que nos vincula, não no sentido, digamos, de lastimar a partida desse ser humano em específico. Com todo o respeito que o catolicismo me ensinou, admito que não tinha grande estima pelo Gugu e muito menos reconhecia nele substância de estima indispensável. Continuar lendo “Confidências de uma telespectadora”

Essa gente, de Chico Buarque

Leonardo Octavio Belinelli de Brito*

 À primeira vista, Essa gente, sexto romance de Chico Buarque, parece ser uma novela escrita em forma de diário pelo protagonista, o escritor Manuel Duarte, no qual são anotadas relatos e mensagens enviadas e recebidas entre dezembro de 2016 e setembro de 2019. Porém, não se trata apenas disso, pois o livro contém passagens em que outros personagens são autores dos trechos. No procedimento, há um elemento caleidoscópico que evoca o que o próprio Chico Buarque chamou se “onirismo desperto”[2], também presente, de formas diferentes, em romances como Estorvo e Leite derramado. Continuar lendo “Essa gente, de Chico Buarque”

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