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ESCUTA.

Maradona, latino-americano

Pedro Benetti*

O futebol se resume a dois tipos de personagens.  De um lado estão os defensores da regra, que tem como objetivo fundamental estabilizar o jogo: Juízes, bandeiras, cartolas, treinadores, analistas de desempenho e jornalistas.  Na sua visão de mundo, quanto mais ordem, melhor. Não se deve mentir, simular, sair das linhas de marcação, abandonar a posição treinada, desrespeitar o adversário. Do outro lado, em inequívoca desvantagem, restam jogadores e torcedores. São os que compartilham o segredo sobre o espírito do jogo, que repousa justamente na luta constante contra a regra. É uma batalha que começa cedo, ainda no futebol de rua, quando a contagem dos passos que separam os chinelos da baliza é diferente nos dois lados do campo ou quando se toma um gol defensável para ir à linha jogar.

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Maradona, o dono do jogo

Ignacio Godinho Delgado*

Tostão, que sabia ser um craque, mas, mineiramente, nunca o proclamou, disse certa feita que o craque é diferente do malabarista.

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O outro

Raquel Guilherme de Lima*

Nunca me dei para esporte nenhum. Tampouco acumulei nestes anos de torcedora de futebol um saber enciclopédico de nomes de times, de jogadores, de gols históricos, de partidas inesquecíveis. Estas ausências, de forma alguma, fizeram que eu sentisse menos a paixão que a loucura por um time de futebol pode causar.

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O fim de um mundo

Jorge Chaloub*

Minha primeira lembrança de Maradona é como nome. Em meio às confusas memórias da descoberta do futebol, ele surgia das muitas palavras entreouvidas na Copa de 1990 não apenas como sinônimo de gênio, mas enquanto modelo de jogador de futebol. Jogar bola era ser como Maradona, ao menos lá pelos meus seis anos. Isso dizia algo sobre ele, expunha sua capacidade de criar imagens, se perder em meio a essas imagens e mostrar como o futebol transborda, ou ao menos transbordava, os limites da disputa esportiva.

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Obrigado, Maradona

João Dulci*

Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste ato não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu ato mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste ato, de uma história superior a toda a história até hoje!” (NIETZSCHE, F. A Gaia Ciência).

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A aritmética e as esquerdas no primeiro turno das eleições municipais de 2020

Alexandre Mendes*

Logo depois de encerrada a apuração, comecei a receber de vários companheiros/as e colegas tabelas e gráficos que exprimem a votação dos diferentes partidos do campo progressista no primeiro turno das eleições. Com uma aritmética simples, seria possível mostrar que a adição das votações de candidaturas majoritárias deste campo alteraria o resultado eleitoral do primeiro turno em cidades importantes como o Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife ou Belém. Do mesmo modo, poderiam influir nas eleições legislativas para produzir uma expansão ainda maior de bancadas de esquerda em algumas cidades, na esperança de fazer frente ao ainda influente compósito de forças bolsonarista.

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Crônica de um hipocondríaco em meio à crise

Matheus Vital de Oliveira Mendes*

Antes de começar, seria preciso dizer que isso não é exatamente uma crônica, mas sim um diário, embora crónicas e diários íntimos têm curiosamente se misturado nesses dias. Seria preciso dizer também que isso não é um diário de verdade, porque eu não escrevo diários. Sou preguiçoso e desinteressante. Meus dias se resumiriam a duas linhas: “hoje acordei cansado. Tomei café. Almocei e, depois de lavar as louças, liguei a tevê e assim fiquei até que meus olhos ardessem. Quando vi já eram nove horas da noite.” Assim, se digo que se trata de um diário é porque me falta a habilidade necessária para escrever uma crónica. A forma crua do diário pelo menos reduz as exigências de estilo e engenho, porque não se escreve para ninguém (pelo menos aparentemente). Um diário, nesse sentido, foi a forma que encontrei para reduzir as preocupações delirantes que envolvem normalmente a arte literária. E, ao final, acabei percebendo que escrevera uma crónica, o que não deixa de ser interessante. Enfim.

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Não é só a economia, estúpido! – Alguns pitacos sobre as eleições

Jorge Chaloub*

Eleições podem, e devem, ser descritas por números. Votos, abstenções, candidatos, eleitos, tudo isto é parte central da construção de uma narrativa que dificilmente se sustenta sem esses elementos. O momento atual, aliás, consegue produzir uma grande quantidade de dados com enorme rapidez, de modo que logo temos marcações importantes, ou ao menos vendidas como tal, já que, com alguma frequência, surgem as pautas sobre a “histórica” vitória do mais votado candidato de 28 anos do município de Recursolândia. Sem querer ofender os bravos recursolandeses, primeiros a elegerem um prefeito nessa eleição, por vezes o afã em descrever quantitativamente o processo eleitoral oculta elementos importantes desse evento, como símbolos, narrativas e outros penduricalhos aparentemente menos palpáveis. Sigamos por esse terreno.

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“Com o Supremo, com tudo”: o que o Partido Republicano ganhou com Donald Trump

Bruno Garcia*

No começo de 2013, o Comitê Nacional do Partido Republicano juntou os cacos da derrota eleitoral imposta por Barack Obama a Mitt Romney no ano anterior e produziu um relatório de cem páginas com o título de Growth and Opportunity Project”. A ideia envolvia um certo mea culpa, pela incapacidade do partido em aumentar sua base, e vinha temperado pelo medo de não voltar a ganhar uma eleição tão cedo se não fizesse algo a respeito.

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