Busca

ESCUTA.

A máquina do desejo do Teatro Oficina

Fernando Perlatto*

Embora já tivesse lido e ouvido falar sobre o Oficina, foi somente em 2017, com O Rei da Vela, que assisti, pela primeira vez, a uma montagem do grupo, no palco da Cidades das Artes, no Rio. A segunda ocasião foi no início de 2019, no Teatro Oficina Uzyna Uzona, em São Paulo, na rua Jaceguai, no bairro do Bexiga, quando assisti à adaptação de Zé Celso do Roda Vida, de Chico Buarque. Eu senti uma emoção genuinamente incrível ao entrar naquele verdadeiro templo do teatro brasileiro e, ao final do espetáculo, acompanhar o grupo em um cortejo pela rua cantando “Cordão”, de Chico.

Continuar lendo “A máquina do desejo do Teatro Oficina”

Druk – Mais uma rodada, de vida

Matheus Targueta*

Em 2014 a Profile Books, editora britânica independente, publicou o livro Politics do historiador e professor da famosa Universidade de Cambridge (Reino Unido), David Runciman. Atualmente o renome do autor ganha projeção internacional graças à consistência de sua vasta produção acadêmica, além do sucesso dos podcasts que apresenta e conduz, Talking Politics e History of Ideas, nos quais alia comentários políticos da atualidade global à prática historiográfica da Escola de Cambridge, grupo dedicado à análise histórica das ideias políticas. Em Politics, um livro escrito sob medida para integrar a ementa básica daqueles cursos de “Introdução à Ciência Política”, Runciman sustenta o argumento (talvez generalista demais, mas que serve ao propósito iniciático da obra) de que “Politics matters”, ou na tradução portuguesa de Paulo Ramos: “A política importa” – frase que abre o livro.

Continuar lendo “Druk – Mais uma rodada, de vida”

[Escuta Resenha. Crises da democracia] O crepúsculo da democracia, de Anne Applebaum

Fernando Perlatto*

APPLEBAUM Anne. O crepúsculo da democracia: como o autoritarismo seduz e as amizades são desfeitas em nome da política. Tradução: Alessandra Borrunquer. Rio de Janeiro: Record, 2021.

Livros sobre a crise da democracia não param de ser lançados. Viraram uma das novas coqueluches do mercado editorial. E é bem provável que assim continuem sendo. A crise da democracia segue seu curso e não há qualquer sinal de que ela vá arrefecer.

Continuar lendo “[Escuta Resenha. Crises da democracia] O crepúsculo da democracia, de Anne Applebaum”

O centrão

Jorge Chaloub*

Se este fosse um fio no Twitter, talvez fosse o caso de começá-lo, como modo de ganhar alguns corações, com o irritante chavão “precisamos falar sobre o centrão”. A questão não passa, todavia, pela quantidade de textos e menções ao termo. Fala-se muito sobre o centrão, que se tornou, aliás, um dos termos mais utilizados para a análise da política brasileira contemporânea. Frequentemente se atribuem a ele características ambíguas e uma capacidade explicativa quase irrestrita, que em alguns casos se confunde com o próprio sistema político brasileiro: o centrão seria a forma “típica” da política brasileira. A partir  das narrativas mais corriqueiras, vê-se a imagem de um personagem ao mesmo tempo coeso, sendo capaz de pautar a política nacional, e facilmente cooptado por pequenos interesses individuais de parlamentares, marca de um “fisiologismo” que supostamente implicaria na ausência de identidade ideológica ou contrariaria certa narrativa da “responsabilidade fiscal”. Sigamos alguns desses argumentos.

Continuar lendo “O centrão”

Golpe de 1964: compreender sim, repudiar sempre, celebrar jamais

Fernando Perlatto*

Lembro-me perfeitamente quando, em uma tarde de maio de 2014, recebi um telefonema de uma pesquisadora que me convidava para ajudar na elaboração do Relatório Final da Comissão Municipal da Verdade de Juiz de Fora (CMV-JF). Havia ingressado naquele ano como professor do Departamento de História da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e fiquei muito honrado com o convite, sobretudo por saber da seriedade dos trabalhos realizados pela Comissão, coordenados pela sua presidenta, a querida Helena da Motta Salles. Assim como outras comissões da verdade que surgiram em âmbito municipal e estadual, na sequência da instalação da Comissão Nacional da Verdade (CNV), em 2012, durante o mandato da então presidenta Dilma Rousseff, a CMV-JF desenvolveu, em parceria com instituições como a UFJF e a OAB, pesquisas relevantes, cujos resultados foram posteriormente reunidos no livro Memórias da Repressão. Relatório da Comissão Municipal da Verdade de Juiz de Fora, publicado em 2015.

Continuar lendo “Golpe de 1964: compreender sim, repudiar sempre, celebrar jamais”

Copacabana, março

Raquel Guilherme de Lima*

Segue quente. O sol permanece como fiel marcador do calendário. Também seguem sem alterações as três papaias por cinco reais na feira livre, um dos últimos inertes indicadores da mesoeconomia. Mesmo assim, tenho dúvidas se 2021 é um ano. Começou?

Continuar lendo “Copacabana, março”

Por que somos todos Mario Filho?

Renato Soares Coutinho*

Em tempos tão raivosos como vivemos no Brasil, não é fácil encontrarmos pautas do mundo político, ou não, capazes de gerar consenso. Vozes com diferentes interesses e matizes patrulham, atacam e cancelam opositores nas redes sociais por conta dos mais diversos tópicos, dando a impressão de que a frase “você tem razão” foi banida dos manuais de redação brasileiros.

Continuar lendo “Por que somos todos Mario Filho?”

[Escuta Aí] Fachin, Lula e a miséria do liberalismo brasileiro

Fernando Perlatto*

Abrir os principais jornais no Brasil hoje pela manhã, ler os editoriais e as colunas da maior parte dos articulistas para observar as repercussões da decisão do Ministro do STF, Edson Fachin, sobre os processos que envolvem o ex-presidente Lula, é confirmar a miséria do liberalismo brasileiro.

Continuar lendo “[Escuta Aí] Fachin, Lula e a miséria do liberalismo brasileiro”

Os números que se foram

João Dulci*

Pernalonga, quase sempre no início dos seus desenhos, saía de um buraco na terra e dizia: sabia que tínhamos que ter virado à esquerda em Albuquerque. A partir daí, dava uma merda federal. Em nosso país, escolhemos virar à direita em Albuquerque, por uma série de razões que esta revista já expôs às centenas. A depender do autor do texto, o peso recai mais ou menos sobre este ou aquele critério, mas em geral sabemos o que aconteceu. Se as causas já foram mapeadas, estamos agora analisando as consequências. Creio que a mais visível delas sejam as centenas de milhares de mortos no país.

Continuar lendo “Os números que se foram”

WordPress.com.

Acima ↑