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A seleção e o Brasil

Jorge Chaloub*

“Na torcida são milhões de treinadores, cada um já escalou a Seleção, o verde e o amarelo são as cores, que a gente pinta no coração”.

Ainda consigo cantar inteira a música da Globo para a Copa de 1994. Também lembro de cada um dos gols, do pênalti batido pelo esquecido Raí, na estreia contra a Rússia, até as cobranças na disputa de pênaltis da final contra a Itália. Eu tinha então dez anos e, apesar do futebol nem sempre brilhante, a Seleção era tão fascinante quanto o Botafogo, o que não é pouco, ao menos para mim. Talvez a ela ainda tenha algo de mágico para as crianças de dez anos de hoje, mas é difícil não pensar que muito mudou.

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Não permita Deus que eu morra sem que eu volte para lá. Antropologia Política (relatório final de pesquisa)

Eduardo Mares Bisnetto*

Cumprindo com meus deveres com as agências de fomento, publico finalmente meu relatório final de pesquisa sobre um país distante, de um planeta plano como a face de um dodecaedro. Exponho aqui apenas algumas pílulas, de modo a não estragar a surpresa que virá com a publicação do meu próximo livro: “País distante: não poderás ver nenhum país como este!”. O título ainda está em debate com minha editora. Ela implicou com o verbo poder no futuro. Aqui, descrevo o que pude perceber ao longo dos meus anos de pesquisa, a partir das notas taquigráficas, das transcrições de lives e dos poucos eventos que pude assistir presencialmente, antes de ter meu visto cancelado.

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Governo na fervura e as oposições

Fernando Perlatto*

Na última sexta-feira, na CPI da Covid, os irmãos Miranda fizeram declarações que, até o presente momento, podem ser aquelas que terão maiores consequências para o governo Bolsonaro. Não que outros depoimentos já não tivessem sido importantes no sentido de evidenciarem as irresponsabilidades do atual governo na condução do enfrentamento à pandemia, e que resultaram, até o momento, em mais de 500.000 mortes.

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Chamar as coisas pelo nome

Fernando Perlatto*

Em uma carta aberta publicada no mês passado, vários intelectuais, cientistas e artistas ligados à comunidade judaica, como Lilia Schwarcz, Silvio Tendler, Natalia Pasternak e Pedro Abramovay, manifestaram sua preocupação com “as inclinações nazistas e fascistas” do governo de Jair Bolsonaro. No documento, os signatários dizem que, para além do “uso de símbolos fascistas e referências à extrema-direita”, a criação de “ameaças fantasmagóricas” associadas aos “esquerdistas”, “cientistas” e “feministas” se assemelha àquelas direcionadas a judeus, ciganos e comunistas nos regimes nazifascistas, que acabam por constituir um terreno propício para as práticas efetivas de violência contra esses grupos. De acordo com a carta, diante da gravidade do cenário que vivemos, “é preciso chamar as coisas pelo nome”.

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Lula no jogo, bolsonarismo de novo *

Mayra Goulart e Guilherme Leme**

No dia 7 de outubro de 2018, o mundo político ficou assombrado pelo resultado alcançado nas eleições por Jair Bolsonaro e outros que dele se aproximavam em termos discursivos. Os 49 milhões de votos em Bolsonaro para presidente se multiplicam quando contabilizamos os demais candidatos eleitos na onda bolsonarista, dentre eles os 52 deputados que concederam ao, até então inexpressivo, PSL o posto de segunda maior bancada da Câmara dos Deputados. Resultados como o de Wilson Witzel (PSC-RJ) e Romeu Zema (Novo- MG), que há uma semana da eleição marcavam um dígito nas pesquisas eleitorais e passaram para o segundo turno com mais de 40% dos votos válidos também deixaram claro a força avassaladora no terreno eleitoral do fenômeno que chamamos de bolsonarismo.[1]

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Bolsonaro e o presidencialismo de coalizão *

Theófilo Rodrigues**

Em 21 de julho de 2018, em meio ao processo de campanha eleitoral, o então candidato Jair Bolsonaro definiu assim o chamado Centrão:“a alta nata de tudo que não presta no Brasil” (1). Em 28 de maio de 2020, o tom mudou: “De dois meses pra cá eu decidi que tinha que ter uma agenda positiva para o Brasil, e eu comecei a conversar com os partidos de centro também”, admitiu Bolsonaro ao revelar sua nova relação com o Centrão (2). O que foi que aconteceu para que em apenas dois anos esse grande giro político tenha sido necessário?

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O veneno necessário: o STF e a prisão de Daniel Silveira

Jorge Chaloub*

Abandonemos as ilusões de normalidade. Já estamos há algum tempo no terreno da exceção, naturalizada em meio às ruínas da ordem de 1988. Seja por decisões oportunísticas ou pelo protagonismo de atores de trajetórias claramente autoritárias, há hoje uma inegável naturalização de práticas antidemocráticas e um desprezo amplo pelas instituições vigentes.  Não vivemos, por certo, uma ditadura explícita, como a de 1964, mas há um evidente processo de desdemocratização em curso. Qualquer análise da prisão de Daniel Silveira que não leve em consideração esse cenário dificilmente ultrapassará a repetição de platitudes sobre os direitos e garantias individuais. O vídeo do deputado é mais um momento de uma longa série de ataques e ameaças à ordem democrática pela coalizão bolsonarista, na qual Silveira se coloca entre os mais explicitamente fascistas.

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A rotina em meio à catástrofe: notas sobre a eleição de Arthur Lira

Jorge Chaloub*

A influência do Governo Federal e a vitória de candidatos habilidosos na política interna do parlamento são a regra nas eleições para a presidência da Câmara dos Deputados[1]. Em tempos excepcionais, entretanto, eventos corriqueiros ganham sentidos diversos e seguir a rotina se torna uma adesão tácita ao status quo. Os deputados que continuaram normalmente suas rotinas parlamentares nos idos de abril de 1964 sem dúvida conferiram normalidade ao golpe. O contexto atual é diverso e não temos um marco tão explícito de ruptura democrático como naquele momento. Não resta dúvida, contudo, que a eleição de Arthur Lira é mais um capítulo da cumplicidade das elites políticas brasileiras com o autoritarismo.

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Um país caótico, a resiliência do presidente e a oposição: dois anos de Bolsonaro

Fernando Perlatto*

Eis que se completam dois anos desde a posse de Jair Bolsonaro como presidente da República em janeiro de 2019. Metade do mandato já se foi. Apesar do caos que o país enfrenta, impressiona a sua resiliência.

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