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A seleção e o Brasil

Jorge Chaloub*

“Na torcida são milhões de treinadores, cada um já escalou a Seleção, o verde e o amarelo são as cores, que a gente pinta no coração”.

Ainda consigo cantar inteira a música da Globo para a Copa de 1994. Também lembro de cada um dos gols, do pênalti batido pelo esquecido Raí, na estreia contra a Rússia, até as cobranças na disputa de pênaltis da final contra a Itália. Eu tinha então dez anos e, apesar do futebol nem sempre brilhante, a Seleção era tão fascinante quanto o Botafogo, o que não é pouco, ao menos para mim. Talvez a ela ainda tenha algo de mágico para as crianças de dez anos de hoje, mas é difícil não pensar que muito mudou.

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Maradona, latino-americano

Pedro Benetti*

O futebol se resume a dois tipos de personagens.  De um lado estão os defensores da regra, que tem como objetivo fundamental estabilizar o jogo: Juízes, bandeiras, cartolas, treinadores, analistas de desempenho e jornalistas.  Na sua visão de mundo, quanto mais ordem, melhor. Não se deve mentir, simular, sair das linhas de marcação, abandonar a posição treinada, desrespeitar o adversário. Do outro lado, em inequívoca desvantagem, restam jogadores e torcedores. São os que compartilham o segredo sobre o espírito do jogo, que repousa justamente na luta constante contra a regra. É uma batalha que começa cedo, ainda no futebol de rua, quando a contagem dos passos que separam os chinelos da baliza é diferente nos dois lados do campo ou quando se toma um gol defensável para ir à linha jogar.

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O outro

Raquel Guilherme de Lima*

Nunca me dei para esporte nenhum. Tampouco acumulei nestes anos de torcedora de futebol um saber enciclopédico de nomes de times, de jogadores, de gols históricos, de partidas inesquecíveis. Estas ausências, de forma alguma, fizeram que eu sentisse menos a paixão que a loucura por um time de futebol pode causar.

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O fim de um mundo

Jorge Chaloub*

Minha primeira lembrança de Maradona é como nome. Em meio às confusas memórias da descoberta do futebol, ele surgia das muitas palavras entreouvidas na Copa de 1990 não apenas como sinônimo de gênio, mas enquanto modelo de jogador de futebol. Jogar bola era ser como Maradona, ao menos lá pelos meus seis anos. Isso dizia algo sobre ele, expunha sua capacidade de criar imagens, se perder em meio a essas imagens e mostrar como o futebol transborda, ou ao menos transbordava, os limites da disputa esportiva.

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Obrigado, Maradona

João Dulci*

Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste ato não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu ato mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste ato, de uma história superior a toda a história até hoje!” (NIETZSCHE, F. A Gaia Ciência).

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Interrompemos a nossa programação para amarmos nosso líder

João Dulci*

Num intervalo de menos de 12 horas, tivemos em nossa querida pátria amada Brasil dois momentos que já nasceram exemplares. Pela manhã do dia 13 de outubro, foi julgada a atleta Carolina Solberg, do vôlei de praia, por ter proferido um “Fora, Bolsonaro” durante uma entrevista no circuito brasileiro da modalidade. À noite, durante a transmissão da peleja Peru x Brasil, abraços ao presidente Bolsonaro, agradecimentos a membros do governo e à direção da CBF.

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O longo adeus aos campeonatos estaduais

João Dulci*

Copio quase literalmente o título do livro de Ariel Dorfman, o grande escritor argentino-chileno-norte-americano[1], apenas como um exagero retórico, para tratar de um cadáver ainda insepulto que teima em criar problemas para os amantes do futebol: os campeonatos estaduais. Na semana passada, a CBF divulgou o calendário do futebol brasileiro em 2020, reservando 16 datas para as competições locais. As 16 datas correspondem a quase a metade do campeonato brasileiro. Continuar lendo “O longo adeus aos campeonatos estaduais”

Um futebol desencantado

Jorge Chaloub*

Josué Medeiros**

Uma recente reportagem sobre o narrador Januário de Oliveira não apenas relembrou expressões e personagens do futebol carioca dos anos 1990, como expôs os traços de um passado que não existe mais. Responsável por alguns dos maiores bordões da nossa imprensa esportiva – como “taí o que você queria!”, “tá lá um corpo estendido no chão!”, “acabou o milho, acabou a pipoca, fim de papo!” – Januário é símbolo de um outro futebol. Não estamos apenas diante de uma mudança nos padrões da transmissão televisiva, mas também de uma distinta lógica do esporte. Continuar lendo “Um futebol desencantado”

Um conto de fadas à brasileira, ou como Havelange foi eleito presidente da FIFA?

Luiz Guilherme Burlamaqui*

Na história das organizações esportivas transnacionais, a eleição de um latino-americano parece ser um ponto fora-da-curva. Continuar lendo “Um conto de fadas à brasileira, ou como Havelange foi eleito presidente da FIFA?”

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