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Estado de Natureza e Totalitarismo: as alternativas bolsonaristas

Luiz Falcão*

“Tudo que você podia ser  / Sem medo”. Lô Borges e Márcio Borges, 1972

Entramos em estado de natureza, ou pior.

Os regimes totalitários e a hipótese do estado de natureza têm em comum a total e completa arbitrariedade, que se consuma em imprevisibilidade e medo. Muito medo. As antíteses perfeitas carregam, por vezes, semelhanças inadvertidas. A situação de completo domínio de um campo de concentração é análoga àquela da ausência de qualquer parâmetro civilizacional. Os regimes políticos que se pretendem civilizados, do socialismo ao liberalismo, buscam aprofundar seu programa ideológico sem descuidar da necessária previsibilidade e, sobretudo, ausência de arbitrariedades. Em certo sentido, a civilização humana depende disso, isto é, de civilidade. Particularmente no Ocidente, isso foi conquistado, ou continua a ser, pela via do direito. Entendido politicamente, o direito é, assim, a expressão de um Estado menos que o totalitarismo e mais do que o estado de natureza: a garantia da dignidade da sociedade civil possui papel de relevo não porque tenha, em si mesma, primazia sobre valores como igualdade e liberdade, mas porque não se pode pôr a termo qualquer ideologia civilizada sem ela. Nisso quer-se dizer que é a sociedade civil algo que garante e é garantido pelo Estado, não totalitário, nem de natureza. Continuar lendo “Estado de Natureza e Totalitarismo: as alternativas bolsonaristas”

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Feliz dia dos alquimistas: como ser professor na era do pós-real?

Lício Caetano do Rego Monteiro*

Caros colegas,

Parabéns aos professores que vocês são, e aos futuros professores que nossos alunos estão se formando para ser. Em algum momento vocês escolheram essa profissão, ou talvez tenham sido escolhidos para ela. Toparam o desafio de aprender e de ensinar. Continuar lendo “Feliz dia dos alquimistas: como ser professor na era do pós-real?”

Polissemia e luta hegemônica: um comentário sobre a conjuntura venezuelana

Mayra Goulart,Beatriz Lourenço e Júlio César Pereira de Carvalho*

De abril a julho de 2017, o cenário político venezuelano foi permeado por violentas manifestações mobilizadas pelos oposicionistas de Nicolás Maduro. A princípio, os protestos foram articulados com o fito de exigir a destituição do presidente e contrapor a suspensão do Parlamento pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) Continuar lendo “Polissemia e luta hegemônica: um comentário sobre a conjuntura venezuelana”

São tristes os dilemas da democracia: apoio crítico e neutralidade nas eleições de 2018

João Dulci*

Confirmada a vitória de Dilma Rousseff, em 2014, o comitê de campanha do PT esperou pelo telefonema do candidato derrotado, como de praxe em saudáveis democracias. O telefonema nunca veio. Aquela campanha havia sido marcada por tentativas de oposição de todas as matizes. Continuar lendo “São tristes os dilemas da democracia: apoio crítico e neutralidade nas eleições de 2018”

Um Espetáculo Genuinamente Nacional

João Martins Ladeira*

O Succès de scandale parecia fora de moda, mas os tempos andam estranhos, e Roger Waters terminou envolvido num belo anacronismo. É curioso: não teria sido a sua música a despertar polêmica; e, neste caso, algum desavisado poderia considerá-la até bastante anódina. Continuar lendo “Um Espetáculo Genuinamente Nacional”

Responsabilidades compartilhadas

Álvaro Okura de Almeida*

Você começa a conversar e então o sujeito não admite que houve ditadura. Quando o faz não admite que foi um erro. Não acredita na democracia, nem como valor nem como método. Não admite que direitos humanos possam ser uma linguagem mínima disponível para se opor a arbitrariedades e violências estatais contra a dignidade de todos. Fala dos DH como se fosse um “pessoal” ligado a “esquerda e ao comunismo”. De saída, não exclui a tortura como método de punição e investigação. Cansado do caos que é a segurança pública, crê que violência se resolve com armas, ódio e assassinatos.

Continuar lendo “Responsabilidades compartilhadas”

Uma carta pela educação

André Rodrigues*

No céu cinzento sob o astro mudo

Batendo as asas pela noite calada

Vêm em bandos com pés de veludo

Chupar o sangue fresco da manada Continuar lendo “Uma carta pela educação”

Homenagem a Otavio Dulci (1948-2018)

Em homenagem a Otavio Dulci, a Revista Escuta publica textos escritos João Dulci, Ignacio Delgado e Flávia Xavier sobre este grande intelectual e professor. Continuar lendo “Homenagem a Otavio Dulci (1948-2018)”

Grandes esperanças

Pedro Lima*

Quase todos à minha volta pareciam atordoados com os resultados das urnas na noite deste domingo, sete de outubro. Após acompanhar por uma semana o crescimento das intenções de voto no candidato fascista para além do suposto “teto” (que girava em torno dos 33%), a irresolução deste domingo pareceu-me boa notícia. Continuar lendo “Grandes esperanças”

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