André Rodrigues e Andrés Del Río*

O editorial da Folha de São Paulo da última sexta, 21 de agosto de 2020, intitulado “Jair Rousseff”, é a primeira carta de apoio do veículo de comunicação para a campanha de Bolsonaro à reeleição. O texto é um elogio dissimulado ao atual presidente. O maior elogio possível a uma figura da estatura daquele que é o pior de nós. Ponto.

O jornalismo, por dever de ofício, não pode ser retoricamente ingênuo. Está, portanto, descartada a hipótese de que o texto desastroso seja fruto do desleixo ou da inabilidade. Não esperamos, além disso, que o veículo venha se retratar publicamente pela lambança, porque há precedentes na forma pela qual o jornal trata a ex-presidente[1], mas é preciso que estejamos prevenidos para a cartada preferida dos desonestos.

Trata-se de uma peça de propaganda muito bem acabada. Há duas camadas principais na campanha promovida pelo panfleto da Folha: uma é a da defesa da austeridade como princípio fundamental da democracia[2] (o que é pura extravagância teórica que só tem lastro nas cabeças dos ultraliberais contemporâneos); outra é a de que este imperativo econômico poderia tornar aceitável no escopo da democracia uma figura política tal qual Bolsonaro.

Chamamos o texto de propaganda e panfleto não como figura de linguagem, mas em sentido estrito. É propaganda porque, antes de mais nada, é um conjunto de falsos pressupostos embrulhado em uma retórica que apela para as emoções. É disso que se trata, em certa medida, o próprio bolsonarismo, como mostra Ricardo Lísias em seu último livro[3]: propaganda. Sabemos que Bolsonaro é inaceitável diante de qualquer parâmetro democrático, assim como sabemos que a austeridade econômica não é o fundamento político da democracia e que as facas Ginsu 2000 não cortam um sapato ao meio. Mentiras. Propaganda. Manipulação das paixões. A coluna vertebral do momento atual.

A chave da propaganda bolsonarista embutida no editorial da Folha é um recurso retórico bastante comum: o da falsa equivalência. Esta ferramenta é a mais recorrente na publicidade. Objetos são alçados à condição de bens intangíveis: margarina vira bem-estar e saúde, automóvel vira realização pessoal, dívida com financiamento de imóvel vira realização de sonho. No caso do texto da Folha a fórmula é tomada do modo mais simplificador possível com a união do nome de um com o sobrenome da outra. Enquanto os comerciais de margarina são um insulto apenas à inteligência do consumidor, o editorial é um insulto à democracia. Trata um apologeta da ditadura e de seus torturadores como equivalente político de uma ex-presidente que foi torturada pelos operadores facínoras dos porões do regime.

A junção dos dois nomes é violenta e perversa. Quando Dilma foi deposta por um golpe em 2016, amplamente apoiado pelos grandes veículos de comunicação, o atual presidente, naquela altura parlamentar, gritou ao declarar seu voto: “Pela memória de [disse o nome daquele que nos recusamos a dar lugar neste texto], o pavor de Dilma Rousseff!” Quando a Folha alinha os nomes de Dilma Rousseff e do atual presidente, ela evoca novamente a memória do torturador. Aquele que redigiu o texto tentou, mesmo que inconscientemente, provocar novamente a dor da memória da tortura em Dilma Rousseff. A dor da tortura, como sabemos pelos relatos de suas vítimas, é incessante. Os autores do editorial colaboram para tornar a tortura sofrida pela ex-presidente em experiência continuada. Ao procurarmos Rousseff nos buscadores, seu nome aparece associado imediatamente ao de Jair. Um eternizar digital que marca os objetivos do panfleto.

Não há maior elogio possível a Bolsonaro do que sua elevação à mesma estatura política e pessoal de Dilma Rousseff.  O editorial o aceita como parte do campo democrático (movimento no qual a Folha  não está sozinha, tendo em vista artigo publicado no mesmo jornal por um grupo de liberais da USP[4]). O texto procura se qualificar como uma comparação sóbria de dois governos, mas é ataque pessoal a Dilma já que a equivalência contou com o recurso da junção dos nomes. Dilma Rousseff é uma mulher forte, corajosa, que sempre esteve à altura do cargo que lhe foi investido pelo voto. Nenhuma crítica ou divergência política em relação a suas posições políticas e a seus governos pode colocar estes atributos em questão. Ao sofrer o impeachment, mesmo diante de toda a cretinice do teatro político e midiático, não houve falta de vergonha na cara capaz de lhe cassar os direitos políticos. Dilma enfrentou todo o processo de impeachment sem perder a dignidade e a compostura em nenhum momento. Mostrou, ao contrário da caricatura que os veículos de comunicação lhe imprimiram de confusa e destrambelhada, que é uma pessoa decente e que tem respeito pelo cargo que ocupava. Nada pode ser mais distante de Bolsonaro. Tal equivalência, portanto, não passa de um elogio público de proporções maiores do que a ladainha mitológica de sua horda de apoiadores. O editorial da Folha de São Paulo do dia 21 de agosto de 2020 entra para o mesmo rol de peças de propaganda bolsonarista em que se encontra aquele da “difícil escolha”.

Não é o primeiro editorial que se torna hit do verão dos miseráveis. Lembremos da ditabranda, e do seu jornalismo avestruz. A Folha não disfarça qual é o seu lado: os seus interesses e dos de seu andar. Lembremos que esta postura hipócrita é representativa do momento político do cenário atual. Mas para aprofundar a hipocrisia e o discurso ambíguo, o jornal lançou recentemente a Campanha #UseAmarelo pela Democracia[5]. O que nos faz perguntar: o que é democracia para o jornal, e que médios ela utiliza para a defender? Os militares acreditam que intervindo na democracia, a salvam. Enfim, dois pesos duas medidas. Sempre em benefício dos seus.

O editorial é a imagem da corporação dos Frias e semelhança da elite. Deveria ter o nome Jair Frias, já que eternizar o casamento desses dois nomes digitalmente faz mais sentido: pelos interesses, e pelo tipo de democracia que parecem defender. Jornalismo de uma nota só, ou melhor, de um interesse só. Que diferença existe entre as propostas antidemocráticas de Paulo Guedes e a defesa do tipo de democracia desigual da Folha? Quem são os sacrificados nessas democracias? É importante notar que, não bastasse toda a descompostura, o texto termina sob o registro da demagogia. Conclui dizendo que quem mais sofre com o não cumprimento da cartilha da austeridade fiscal são os mais pobres. As massas empurradas para o trabalho informal pela reforma trabalhista, que terão que trabalhar até morrer por conta da reforma da previdência, seriam aqueles pelos quais a Folha alega estar lutando. O jornal, assim como os demais grandes veículos de comunicação, sempre endossou tais reformas e, no mesmo texto, agita a bandeira do teto de gastos que promove imensa corrosão das políticas públicas de saúde, educação e assistência social.

Como indica a própria ombudsman da Folha, Flavia Lima, sob o título “Circo de horrores, publicado em 23 de agosto: “Uma reportagem rasa sobre o assunto foi publicada na terça (18). Nela, banqueiros e gestores são ouvidos sob anonimato para chegar à conclusão de que Bolsonaro se compara a Dilma, pois o governo gasta mais do que pode. Após a reportagem, editorial publicado no sábado (22) dobrou a aposta, fazendo a defesa da austeridade fiscal sob o sugestivo título “Jair Rousseff”… (…) Já a Folha parece lançar mão de um artificio infantil para fazer o presidente mudar de ideia, usando algo que ele consideraria ofensivo: a comparação com a ex-presidente”. Destacamos: não é infantil, é iniquidade estrutural da elite dominante. Em 24 de agosto, Cristina Serra, publicou na Folha o texto “O tumor Bolsonaro” para aliviar o vendaval de hipocrisia em formato editorial jornalístico[6]. Mas longe de colocar um basta no assunto, ele o ascende e traz à mesa os problemas existentes na mídia no Brasil. Na mesma linha, o jornalista Fernando Barros e Silva, ex-editor da Folha declarou: “Tenho opinião bastante negativa do governo Dilma. Mas… compará-la (e confundi-la) com Bolsonaro não é só um erro”, postou o jornalista no Twitter. “É intelectualmente indigente e moralmente atroz. Que merda de democracia é essa da qual a Folha pretende ser guardiã (talvez zeladora)? Aqui meu sorriso amarelo”[7]. Sentimos que a resposta de Dilma demostra sua grandeza, mas ao mesmo tempo nos penaliza que ela tenha que continuar se defendendo da misoginia e violência das elites. E que a Folha nem tenha humildade de publicar o texto de uma ex-presidenta. Lula da Silva incorporou um condimento fundamental para ser observado neste processo: “Não tenho dúvidas em afirmar que o ódio dos donos da Folha a Dilma passa por sua condição de mulher[8]. Lembremos, o Brasil é estruturalmente racista e misógino. Dilma sofreu e sofre a misoginia constantemente.

A distorção do jornal dos Frias é tão grande que na mesma semana que a Folha lançou seu panfleto, ratificando sua postura no cenário político, o próprio Bolsonaro ofendeu a impressa, novamente. Desta vez, um jornalista perguntou: Presidente Jair Bolsonaro, por que sua esposa Michelle recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?. A resposta do minúsculo presidente da Alvorada foi: “Vontade de encher tua boca com uma porrada, tá? Seu safado”, duas vezes[9]. Por um lado, uma extensa manifestação se estendeu nas redes, e a reação anti-bolsonarista aglutinou opositores, chegando a um milhão de tuítes – 2,7 mil por minuto[10]. Existiram diferentes manifestações em defesa do jornalismo, desde denunciar, mais uma vez, Bolsonaro no sistema internacional[11], até uma declaração do PSDB “Desrespeita a liberdade de imprensa, em atitude que não condiz com o cargo que ocupa”[12]. Claro, o bolsonarista assintomático, Rodrigo Maia, salientou que tudo não passa de uma questão de proporções. A reação do presidente, segundo ele, teria sido “desproporcional”[13]. Talvez se ele tivesse atenuado a expressão “encher tua boca de porrada”, tornasse a resposta aceitável dentro dos padrões do presidente da Câmara. A escaramuça de Maia não é diferente da usada pela Folha. Dizer que foi uma resposta desproporcional é descrever o fato não como um ataque, mas como uma reação.

A “declaração” do presidente, por outro lado, reverbera na forma de mais ataques e apologia da violência contra profissionais de imprensa, colocando mais gasolina no fogo no qual vivem e resistem os direitos humanos neste governo. Parte dos que não dobraram o Cabo da Desesperança, se chocam profundamente, mas sua base ideológica só se alimenta de seus atributos e posturas violentas. Mas a Folha, afinal, está mais preocupada com a austeridade para aumentar o lucro concentrado de uma pequena elite do que em salientar que a postura do presidente indica uma deterioração do ambiente institucional do Brasil. O Folha quer fazer brotar um Bolsonaro comprometido com a agenda econômica antidemocrática, mas que não ataque a imprensa tradicional. Esta é a estrutura política de base que alimenta o editorial de 21 de agosto.

Há um lado nessa história toda que soa como as baixarias da elite retratadas nas colunas sociais. Ofendem-se, mas no fim do dia se sentam à mesma mesa. Com ou sem palavrão,  o menu é a carne dos trabalhadores, dos periféricos e das periféricas, dos homens e mulheres negros, das populações indígenas, caiçaras e quilombolas. A violência é o campo fértil da continuidade do caricato presidente. O Guedes não é menos violento que Bolsonaro. Os Frias também não. Eles sabem. A gente também. Um dia depois da ameaça ao jornalista, o Trump tropical declarou sobre a covid-19: “… quando pega num bundão de vocês (da imprensa) a chance de sobreviver é bem menor”[14]. Na cena da polaroid desta semana, os militares estão em silêncio, na retaguarda do avanço desse baile de máscaras.

Juntamente com os interesses econômicos, outro fator ideológico faz a Folha e a grande mídia cerrarem fileiras com o bolsonarismo: o antipetismo. Na mesma semana, o TRF-1 extinguiu a pena por falsidade ideológica de José Genoino, ex-presidente do PT, e Delúbio Soares, ex-tesoureiro de Genoino, Delúbio e Valério, depois de uma das maiores campanha de difamação da história recente[15]. Difícil encontrar uma matéria nos jornais tradicionais. Na mesma semana, ministros do Supremo Tribunal Federal indicaram que o ex-herói Sergio Moro tinha, na verdade, pouco de herói e muito de parcial. Declarando o ex-juiz agiu de modo parcial, anularam a sentença do Banestado[16]. Houve, além disso, levantamento em pesquisa realizada junto a professores do meio jurídico sobre a parcialidade do ex-juiz na condução do julgamento de Lula que mostrou que 97,8% dos 283 professores entrevistados consideram que Moro foi parcial[17]. Na mesma semana, após 40 adiamentos e mais de dois anos e meio de julgamento, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) decidiu na terça (25) que não vai punir o procurador Dallagnol pela apresentação de PowerPoint em que ele acusa sem provas o ex-presidente Lula[18]. Enfim, em uma semana na qual o jornalismo tradicional deveria realizar uma restituição moral da campanha contra o petismo e dimensionar as sombras da Lava Jato, o jornalismo da elite preferiu colocar Dilma na altura do antidemocrata Bolsonaro.

A Folha de São Paulo declara, assim, um alinhamento ideológico com dois eixos fundamentais do bolsonarismo: o antipetismo e o neoliberalismo. A peça de propaganda tenta atrair Bolsonaro para estes eixos mobilizadores indicando o caminho para a viabilidade de sua reeleição. Como boa peça de propaganda, oculta seus verdadeiros propósitos buscando soar como um texto profundamente crítico a Bolsonaro e seus opositores, com uma aura de neutralidade. Os seus redatores devem estar se sentindo ungidos pela mentira mãe de todas as mentiras: a isenção jornalística. É certo que a peça deve ter gerado reação da base olavista. Mas já não é novidade o processo de depuração do bolsonarismo pela operação que o fatia em “alas”. O que a Folha quer é um Bolsonaro capacitado para desempenhar a agenda ideológica que levou ao golpe de 2016.

Em sua última coluna no mesmo jornal, o professor Silvio Almeida publicou um excelente texto intitulado “Regimes autoritários sempre têm os seus juristas de estimação[19]. Não só juristas, veículos de comunicação também. No trecho que condensa as operações pelas quais juristas legitimam regimes autoritários, Silvio Almeida escreve: “Basta que juristas e instituições jurídicas: a) chancelem o fascismo sob pretexto da ‘liberdade de opinião’; b) calem-se ante a proliferação de práticas e discursos racistas; c) sejam coniventes com a violência estatal e seus incentivadores; d) omitam-se diante da flexibilização de direitos e garantias fundamentais; e) sustentem as formas de exploração e dominação social.” Com exceção do item “b”, a Folha tem reproduzido sistematicamente estas operações. Os Frias estão nus. Chamam de “democracia” um regime de austeridade e alimentam demagogicamente o antipetismo, engrossando o caldo do que Appadurai chamou de “revolta das elites”[20]. Paulo Guedes no guidão.

Como cidadãos, nosso respeito a Dilma Rousseff, e a todas aqueles que ainda acreditam na democracia plural e inclusiva.     

* André Rodrigues e Andrés Del Río são doutores em ciência política, professores da Universidade Federal Fluminense e colaboradores da Escuta.

Imagem disponível no banco de dados da Folha de São Paulo.


Notas

[1] A própria Dilma Rousseff faz um retrospecto da conduta da Folha na resposta que publicou ao editorial: http://dilma.com.br/falha-de-s-paulo-ataca-outra-vez/

[2] Esta dimensão de uma legitimidade econômica que precede a democracia foi debatida por Jorge Chaloub e Pedro Lima: http://www.periodicos.ufc.br/revcienso/article/view/19489/71771

[3] LÍSIAS, Ricardo. (2020), Diário da catástrofe brasileira. Ano I: O inimaginável foi eleito. São Paulo: Record.

[4] https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2020/08/associar-liberalismo-ao-fascismo-nao-e-intelectualmente-honesto.shtml. O texto recebeu uma excelente réplica de Jorge Chaloub: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2020/08/liberais-se-mostram-avidos-por-normalizar-acoes-autoritarias-de-bolsonaro.shtml

[5]https://www.youtube.com/watch?v=N9xdSq9HZZs

[6]https://www1.folha.uol.com.br/colunas/cristina-serra/2020/08/o-tumor-bolsonaro.shtml

[7]https://www.brasil247.com/midia/ex-editor-da-folha-diz-que-editorial-que-chama-bolsonaro-de-jair-rousseff-e-moralmente-atroz

[8]https://jornalggn.com.br/artigos/a-folha-dos-covardes-por-luiz-inacio-lula-da-silva/

[9]https://epoca.globo.com/brasil/reporter-tem-que-apanhar-mesmo-ataque-de-bolsonaro-gera-onda-de-ameacas-fisicas-jornalistas-24602882

[10]https://piaui.folha.uol.com.br/twitter-enche-bolsonaro-de-pancada/

[11]https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/08/24/senador-bolsonaro-ataque-imprensa-oea.htm

[12]https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/08/23/politicos-de-oposicao-criticam-jair-bolsonaro-por-intimidacao-a-jornalista.htm

[13]https://congressoemfoco.uol.com.br/legislativo/maia-classifica-reacao-de-bolsonaro-contra-jornalista-como-desproporcional/

[14]https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/08/24/bolsonaro-diz-que-jornalistas-tem-mais-chances-de-morrer-de-covid.htm

[15]https://www.conjur.com.br/2020-ago-20/genoino-delubio-nao-serao-punidos-falsidade-ideologica

[16]https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/08/25/stf-aponta-parcialidade-de-moro-e-anula-sentenca-do-caso-banestado.htm

[17]https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2020/08/moro-nao-foi-imparcial-em-julgamento-de-lula-dizem-97-dos-professores-de-direito-em-pesquisa.shtml

[18]https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/08/em-vitoria-da-lava-jato-conselho-arquiva-processo-contra-deltan-no-caso-powerpoint.shtml

[19]https://www1.folha.uol.com.br/colunas/silvio-almeida/2020/08/regimes-autoritarios-sempre-tem-os-seus-juristas-de-estimacao.shtml

[20] https://leicufrj.wordpress.com/2020/04/25/estamos-testemunhando-a-revolta-das-elites-por-arjun-appadurai/