Por Fernando Perlatto*

A coluna “Escuta Recomenda” é publicada aos domingos, assinada por um dos editores da revista, Fernando Perlatto, com sugestões de leituras de textos de política e de cultura, publicados na imprensa ao longo da semana.

Política

Compartilho abaixo a indicação de artigos interessantes sobre política publicados nesta semana:

Sobre a crise da Operação Lava Jato, do Judiciário e do Ministério Público:

– Artigo de Celso Rocha de Barros, na segunda, na Folha, “A crise da Lava Jato”: “A esta altura, já está claro que Bolsonaro não tem o mais remoto interesse em brigar pela Lava Jato. Sua família é envolvida no esquema Queiroz, ele mesmo talvez também seja, e Moro seria um adversário forte na eleição de 2022”

– Artigo de Maria Hermínia Tavares de Almeida, na quinta, na Folha, “A Lava Jato fez água”: “A Lava Jato naufraga sob o peso de atitudes de procuradores justiceiros, de um juiz vaidoso e politicamente comprometido e de um ex-procurador-geral destemperado —todos dispostos a colocar suas paixões e interesses acima do devido processo legal. Caberá ao Conselho Nacional do Ministério Público e ao Supremo Tribunal Federal resgatar a operação das águas turvas”

– Artigo de Elio Gaspari, na quarta, no jornal O Globo, “Janot mostrou o cenário chinfrim”: “Mais preocupado em falar bem de si, Janot exagerou na seletividade da própria memória. Ainda assim, ele mostra o momento em que o conjunto da Lava Jato começou a naufragar”

– Artigo de Maria Cristina Fernandes, na quinta, publicado no Valor, “A disputa pela vaga de resolvedor-geral”: Com a ajuda de uma família presidencial enrolada, de um ministério público desabrido no desrespeito ao Estado de direito, e de um ex-procurador-geral que, em 245 páginas, cita dez vezes a palavra ‘vinho’ e seis, a ‘Constituição’, Mendes volta a disputar seu papel preferido de resolvedor-geral da República.

– Artigo de Demétrio Magnoli, no sábado, na Folha, “O Ministério Político”: “Nos artigos 127, 128 e 129, a Constituição criou um poder sem controle externo e sem limites jurisdicionais. O MP paira sobre o Estado, não respondendo a nenhum dos três Poderes”

– Artigo de Rogerio Arantes para a revista Época, “Gilmar Mendes: o malvado favorito”: “Mendes não se desvencilhou da política ao vestir a toga, e parece conceber o papel da suprema Corte como essencialmente político. Mantém com a constituição, essa arma poderosa, uma relação instrumental e assume a responsabilidade de decisões capazes de mudar o curso da história, embora nem sempre na direção certa”

– Artigo de Janio de Freitas, neste domingo, na Folha, “O grande impune”: “Sergio Moro é o maior e mais grave caso de impunidade no Brasil”

– Artigo de Juca Kfouri, na terça, na Folha, “Lula livre?”: “A pretensão destas linhas se limita a reforçar o direito à dúvida sobre a justiça da sentença, dada a reação do sentenciado e, mais, reconhecer a raridade do gesto, algo jamais visto no Brasil, quiçá no mundo”

Sobre o governo Bolsonaro:

– Artigo de Ranier Bragon, na terça, na Folha, “O bolsonarismo quer uma imprensa para chamar de sua”: “Os Bolsonaros procuram uma imprensa para chamar de sua, demonstrando não estarem satisfeitos com o alcance do atual cordão dos chapas-brancas –cúpulas de SBT, Record e outros integrantes da sempre laboriosa rede de aduladores”

– Artigo de Rosangela Bittar, na quarta, publicado no Valor, “O pior ministro”: “Não por acaso, este é o pior ministro do governo Bolsonaro (Abraham) e o pior ministro da Educação dos últimos 40 anos (Weintraub)”

– Artigo de Rodrigo Franco da Costa, na segunda, publicado nesta Revista Escuta, “O assombro antirrepublicano de nosso tempo”

– Artigo de José de Souza Martins, na sexta, publicado no Valor, “Nosso coração amazônico”: “A reação do governo brasileiro ao sínodo, convocado em outubro de 2017, quando esse governo era mera e longínqua hipótese, foi reação descabida e despropositada. Revelou despreparo e desinformação científica, histórica e antropológica”

– Artigo de Sergio Augusto, no Estadão, “Empreendedorismo das capitanias hereditárias não é exemplo para país nenhum”: “Na visão do general Mourão, com a criação das capitanias, “o País nascia pelo empreendedorismo, que o faria um dos maiores do mundo”. Que eu saiba, o que concretamente nasceu com as capitanias, estabelecidas e mantidas com violência e práticas escravocratas e etnocidas, foram as nossas oligarquias rurais”

Cultura

Compartilho abaixo a indicação de artigos interessantes relacionados à cultura publicados nesta semana:

– Artigos de Bernardo Mello Franco e de Bruno Boghossian, publicados neste domingo, respectivamente, no O Globo e na Folha, sobre as ações de censura no área cultural: “Dona Solange não morreu” e “Na cultura, governo asfixia críticos e monta máquina de propaganda”

– Artigo de Zadie Smith, “Fascinated to presume: In defense of fiction”, publicada na New York Review of Books.

– Artigo de Fernanda Torres, neste domingo, publicado na Folha, “Mãe”, sobre a autobiografia de Fernanda Montenegro: “Feliz aniversário, minha mãe. Que o Brasil, tão trágico, bruto e desesperado entenda, com gente como você, o quanto a arte e a criação podem fomentar amor, progresso e civilização”

– Entrevista dos escritores Mia Couto e José Eduardo Agualusa, autores do livro O Terrorista Elegante e Outras Histórias, para a Folha no sábado: “O clima que vemos no Brasil hoje é assustadoramente semelhante à situação que existia nos nossos países no início da guerra civil”

– Resenha de André Rodrigues do livro O Corpo Encantado das Ruas, de Luiz Antonio Simas, intitulada “Heráclito e Exu, na rua”, publicado nesta Revista Escuta, na sexta

* Fernando Perlatto é um dos editores da Revista Escuta