Por Fernando Perlatto*

A coluna “Escuta Recomenda” é publicada aos domingos, assinada por um dos editores da revista, Fernando Perlatto, com sugestões de leituras de textos de política e de cultura, publicados na imprensa ao longo da semana.

Política

* Compartilho abaixo a indicação de artigos interessantes sobre política publicados nesta semana:

– Artigo de Celso Rocha de Barros, na segunda, na Folha, “Movimento bolsonarista reflui e radicaliza”: “O bolsonarismo como movimento político está refluindo, e Bolsonaro tenta compensar isso com golpe de Estado e uso da máquina”

– Artigo de Rogerio Arantes, na terça, para a revista Época, “Democracias em risco?”: “Entre nós, qualquer força política que tente organizar esquemas capazes de desequilibrar o jogo será descoberta e, provavelmente, desmantelada”;

– Artigo de Renato Janine Ribeiro, na terça, na Folha, “Os outros elementos do fascismo”: “O que nos protegerá do fascismo? Instituições são elemento positivo da democracia, mas não bastarão se não houver empenho forte dos cidadãos em defender não só suas vidas privadas como o caráter democrático dessas instituições”

– Artigo de Flávia Oliveira, na sexta, no jornal O Globo, “É necropolítica que chama”: “Não há outra palavra para denominar o cotidiano de brutalidade ao qual as favelas do Rio de Janeiro estão expostas desde que Wilson Witzel aportou no Palácio Guanabara”

– Artigo de Simone Gomes nesta Revista Escuta e na revista Horizontes do Sul, “O conceito de necropolítica: ensaios de alguns porquês e as razões de agora”: “”Mas no que consistiria a necropolítica? Segundo Mbembe, em uma forma de governo que trabalha com zonas de morte, com a criação de inimigos e de políticas formuladas por seus regimes de exceções – permanentes – e emergências”

– Artigo de Janio de Freitas, na Folha, neste domingo, “Na beira do precipício”: “Em temas da crise política, a maioria dos 11 ministros tem se curvado à opinião das camadas bem situadas da população”

– Artigo de Conrado Hübner Mendes, para a revista Época desta semana, “Os 13 fatos da Lava Toga”: “Um judiciário independente controla desvios de juízes. O judiciário brasileiro nunca se destacou no exercício desse controle”

– Artigo de Luís Falcão nesta Revista Escuta, “O Ministério da Casa Verde”: “Dizia-se na imprensa que os avanços da Lava-Jato estavam comprometidos, tanto que, bastou que assumisse Moro o Ministério, as delações começaram a ser questionadas e o número de prisões despencou. O que se parecia querer era a continuidade das prisões, por justiça, revanche, vingança… ou medo de que se alguém estivesse solto, poderia atrapalhar os planos imperiais.”

– Artigo de Sergio Fausto, na revista Piauí, deste mês, “Que falta faz uma boa direita”: “De novo, diante do que lhe parecia ser o mal maior, a direita liberal tapou o nariz e fez o que acreditou que tinha de ser feito. Ao sufragar Bolsonaro, não teve de mandar às favas os escrúpulos democráticos, como no golpe de 1964, mas abraçou-se à candidatura do ex-capitão, pródigo nos elogios ao regime autoritário e na justificação da tortura, admirador dos governos politicamente antiliberais da Hungria e da Polônia e fã assumido de Donald Trump, a quintessência do nacionalismo xenófobo”

– Artigo de Demétrio Magnoli, no sábado, na Folha, “Lula livre”: “O STF examinará, logo mais, as condenações impostas a Lula. Hoje sabemos, graças à Vaza Jato, que os processos tinham cartas marcadas. O conluio entre Estado-julgador e Estado-acusador violou as leis que regulam o funcionamento do sistema de Justiça. A corte suprema tem o dever de preservar o Estado de Direito, declarando a nulidade dos julgamentos e colocando o ex-presidente em liberdade”

– Artigo de Bernardo Mello Franco, no jornal O Globo, deste domingo, “O Brasil contra o mundo”: “Amanhã, a ONU promoverá uma cúpula especial sobre a crise climática. Com a credibilidade em baixa, o Brasil não foi incluído entre as 60 delegações que usarão a palavra. Melhor assim. Um discurso negacionista causaria ainda mais desgaste à imagem do país”

– Artigo de Martin Wolf, publicado na sexta, no Valor Econômico, “Capitalismo rentista ameaça a democracia”: “O que parecemos cada vez mais ter, em vez disso, é um instável capitalismo rentista, uma concorrência enfraquecida, um crescimento fraco da produtividade, alta desigualdade e, não por acaso, uma democracia cada vez mais degradada”

– Artigo de Maria Hermínia Tavares de Almeida, na quinta, na Folha, “Desigualdade à brasileira”: “A concentração de renda cria seus próprios mecanismos de perpetuação. Ela também associa-se e com frequência reforça outras expressões de desigualdade: no padrão dos serviços sociais recebidos por uns e outros, nos equipamentos urbanos disponíveis, no acesso à Justiça, no tratamento que merecem dos agentes públicos, no respeito aos direitos individuais —tudo confluindo para uma convivência social embrutecida e violenta”

– Artigo de Laura Carvalho, na quinta, na Folha, “O topo acima de todos”: “Em vez de trabalhar para eliminar o caráter regressivo da tributação, o plano da equipe econômica parece ser o de tornar o Estado brasileiro concentrador de renda em seu conjunto por meio da “desvinculação, desobrigação e desindexação” de despesas”

– Artigo de Maraliz Pereira Jorge, na quinta, na Folha: “Jair Bolsonaro está em campanha permanente para desmoralizar o jornalismo profissional, ameaça veículos e estimula perseguições à classe o tempo todo. O que ele, seus filhos e a militância fazem não tem nada a ver com liberdade de expressão. Em português, é discurso de ódio, que ainda não levou, mas pode levar, a casos de violência física e morte”

– Artigo de Vahan Agopyan, Reitor da USP, “Bolsas de pós-graduação para quê?, na Folha: “A redução do número de bolsas está diretamente relacionada à diminuição do volume de pesquisas e do ritmo de formação de recursos humanos qualificados —e, em última instância, do desenvolvimento econômico, tecnológico, social e cultural do nosso país”

– Artigo de Yascha Mounk, na terça, na Folha, “O que Boris fez com a democracia mais estável do mundo”: “Trata-se da agressão mais deslavada contra a democracia vista na memória viva do Reino Unido e uma das mais sérias já enfrentadas por qualquer país ocidental nesta era populista”

Cultura

* Compartilho abaixo a indicação de artigos e reportagens interessantes sobre cultura publicados nesta semana:

– Artigo de Eduardo Escorel, no blog da revista Piauí, “Marighella – condenado à clandestinidade?”: “Lamento não poder comentar o próprio Marighella, em vez de me ater às circunstâncias que o cercam, pois, apesar de reiterada manifestação de interesse da minha parte, não me foi dado acesso ao filme”

– Reportagem da Folha sobre o novo disco de Chico César, O amor é um ato revolucionário;

– Trecho inédito publicado pela revista Quatro Cinco Um do novo romance da escritora italiana Elena Ferrante, que não lançava um livro desde o último volume da tetralogia A Amiga Genial;

– O site do Suplemento Pernambuco publicou poemas inéditos de Wisława Szymborska;

Indicações culturais da semana:

Livro: O pêndulo da democracia, de Leonardo Avritzer (Todavia, 2019)

Discos: Gal Costa (A Pele do Futuro Ao Vivo, 2019)

Clipe: Elza Soares (“Comportamento geral”, do disco Planeta Fome)

Podcast: Ilustríssima Conversa, com o professor de Literatura da USP, Hélio Seixa Guimarães, que lançou recentemente dois livros Escritor por escritor: Machado de Assis segundo seus pares (Imprensa Oficial) e Amor nenhum dispensa uma gota de ácido (Três Estrelas), que investigam a recepção da obra de Machado de Assis;

* Fernando Perlatto é um dos editores da Revista Escuta