Por Fernando Perlatto*

A coluna “Escuta Recomenda” é publicada aos domingos, assinada por um dos editores da revista, Fernando Perlatto, com sugestões de leituras de textos de política e de cultura, publicados na imprensa ao longo da semana, além de indicações de livros.

Política

* Um dos principais temas a motivar as discussões políticas ao longo da semana esteve relacionado à convocação das manifestações a favor do governo Bolsonaro e contra o Congresso e o STF, que ocorrerão neste domingo. Vários artigos foram publicados buscando compreender a relação de Bolsonaro com essas manifestações, que a Folha, em editorial deste domingo, chamou de “algazarra autoritária”. Dentre estes textos, destaco em primeiro lugar o ensaio de Eliane Brum, publicado na quarta-feira, no El Pais, com o título “O golpe de Bolsonaro é pela família, contra a nação”: “Entre os tantos momentos graves vividos pelo Brasil desde que Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente e passou a governar como antipresidente, este em que ele e sua família pregam abertamente um autogolpe é possivelmente o pior. E, a depender de como for enfrentado pela sociedade, outros piores virão”. Cinco artigos também publicados na Folha abordaram de forma ampla as manifestações. Celso Rocha de Barros, em texto publicado na segunda, na Folha, intitulado “A carta de Jânio”, destacou as apostas de Bolsonaro em sua relação dúbia com as manifestações de domingo: “Bolsonaro quer fechar o Congresso e o STF, censurar a imprensa e perseguir a esquerda. Por isso, não faz nada e força crises”. A cientista política Maria Hermínia Tavares de Almeida, em texto publicado na segunda, enfatizou: “Agora, ao atiçar os seus raivosos seguidores nas redes e estimulá-los a sair às ruas em seu apoio, o presidente populista dá mais um passo na tortuosa ofensiva contra as instituições e os seus agentes. Que ninguém se engane com a fala truncada, o olhar perdido, a modéstia encenada, a visão rudimentar dos graves problemas do país. Na função para a qual não tem qualificação alguma e não cessa de prová-lo, Bolsonaro se ocupa em dividir e destruir. O problema do Brasil é ele”. Ranier Bragon, também na Folha, na terça, em seu texto “Não há meio termo quando um presidente flerta com a ditadura”, também destacou o flerte de Bolsonaro com o autoritarismo: “Sempre é possível correr para debaixo da cama em situações assim. Que cada um depois preste contas à história e à sua própria consciência”. Reinaldo Azevedo na Folha, na sexta, em seu texto “Qual é o tamanho do exército golpista?”, destaca: “Interesso-me pouco por aquilo que produzirão neste domingo os templários do golpismo. Suas intenções, assim como as de Bolsonaro, inspirador da patuscada, são claras. A resposta dos outros dois Poderes é que vai nos dizer os riscos que corremos”. Já Angela Alonso, no caderno “Ilustríssima” deste domingo pontua: “Até o fim do domingo se saberá a natureza da relação governo-rua. Se o apoio pender para o subcampo liberal, que recomendou faltar, a mobilização será um fiasco e o presidente (mesmo se ausente, a simpatia é óbvia) queimará pontes. Mas se o ato dos subcampos conservador e autoritário for expressivo, Bolsonaro se cacifará para peitar o Congresso e obrigará a oposição, para seguir viável, a levar tanto ou mais gente a sua próxima manifestação”. Para completar a análise, sugiro também o artigo de Juan Árias para o El Pais, publicado na terça, “A marcha da loucura”: “A manifestação prevista para 26 de maio não será mais uma. Deixará marcas profundas, triunfando ou fracassando. O Brasil ficará perigosamente dividido. No caso de o Governo conseguir encher as ruas do país gritando contra os pilares que hoje sustentam a democracia, não é difícil prever que os conflitos se agravarão. Seria um passaporte para que um Governo autoritário imponha suas leis com mão de ferro”. Além disso, chamo a atenção para o artigo de Fábio Zanini na quarta para o blog “Saída pela Direita”, da Folha, que aborda a fissura na aliança de Bolsonaro em torno da convocação do ato do dia 26: “Os liberais decidiram se distanciar das manifestações, abraçadas com ânimo pelas mais diversas vertentes do conservadorismo: olavistas, ruralistas, armamentistas, evangélicos, saudosistas da ditadura e outros”.

Leia o artigo de Eliana Brum em:

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/22/politica/1558536541_227291.html

Leia o artigo de Celso Rocha de Barros em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/celso-rocha-de-barros/2019/05/a-carta-de-janio.shtml

Leia o artigo de Maria Hermínia Tavares de Almeida em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/maria-herminia-tavares-de-almeida/2019/05/qual-e-o-problema.shtml

Leia o artigo de Ranier Bragon em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ranier-bragon/2019/05/nao-ha-meio-termo-quando-um-presidente-flerta-com-a-ditadura.shtml

Leia o artigo de Reinaldo Azevedo em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/reinaldoazevedo/2019/05/qual-e-o-tamanho-do-exercito-golpista.shtml

Leia o artigo de Juan Árias em:

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/21/opinion/1558451534_123473.html

Leia o artigo de Fábio Zanini em:

https://saidapeladireita.blogfolha.uol.com.br/2019/05/21/atos-abrem-fissura-na-alianca-liberal-conservadora-que-elegeu-bolsonaro/

Leia o artigo de Angela Alonso em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/angela-alonso/2019/05/se-ato-for-expressivo-bolsonaro-se-cacifa-para-peitar-congresso.shtml

* Ao longo da semana, foram publicados alguns textos que buscaram analisar a relação de Bolsonaro com as redes sociais. Destaco, em primeiro lugar, o artigo da jornalista Thais Bilenki, publicado na quarta, no blog da Piauí, intitulado “O Twitter como bússola” sobre o “comportamento errático” do presidente Bolsonaro, que se movimenta politicamente de acordo com as repercussões a seus posts no Twitter: “Essas idas e vindas do presidente são reflexo da contradição permanente entre o que ele vê nas mídias sociais polarizadas e o que escuta de seus auxiliares, sempre mais ponderados. Muitos recuos que Bolsonaro protagonizou desde a posse foram provocados pela reação de seus seguidores no Twitter”. Sobre a temática, vale também a leitura do artigo do cientista político Miguel Lago, publicado na edição deste mês de maio da revista Piauí, “Procura-se um presidente”: “A sociedade hiperconectada é parte fundamental do perfil Bolsonaro: é daí que provêm argumentos, ideias, informações, apoios e alianças dele. Por essa razão, Bolsonaro estará sempre condenado a priorizar o perfil, em detrimento da função de presidente”.

Leia o artigo de Thais Bilenki em:

https://piaui.folha.uol.com.br/o-twitter-como-bussola/

Leia o artigo de Miguel Lago em:

https://piaui.folha.uol.com.br/materia/procura-se-um-presidente/

* Outros bons artigos publicados ao longo da semana buscaram analisar de forma mais ampla as características autoritárias do governo Bolsonaro. Destaco, especialmente, quatro textos escritos por Eugênio Bucci, Oscar Vilhena Vieira, Rosângela Bittar e Janio de Freitas. Bucci, na quinta, “Será tragédia? Ou será chanchada?”, publicado no Estadão, destaca: “O que sabemos até agora é que para alcançar seu objetivo o candidato a ditador tenta a toda hora bestializar a figura daqueles que elegeu como seus inimigos retóricos preferenciais: os políticos, os professores, os gays, os artistas, os jornalistas e um ou outro ministro do Supremo Tribunal Federal. Ele sabe que precisa de um bloco de inimigos”. Oscar Vilhena Vieira, na Folha, no sábado, “Legalismo autocrático”, aponta para iniciativas autoritárias recorrentes do governo: “Múltiplas são as estocadas institucionais, tanto federais como estaduais, voltadas a provocar uma paulatina erosão das garantias constitucionais. Cito apenas algumas: desmonte das estruturas de combate ao trabalho escravo; desprezo pela Convenção 169 da OIT, que assegura direitos essenciais dos povos indígenas; ampliação das hipóteses de exclusão de punibilidade de agentes de segurança; veto ao comitê contra a tortura e proposta de fechamento da Ouvidoria da Polícia, em São Paulo; eliminação dos conselhos de participação da sociedade civil na administração federal; interferência na autonomia universitária; ampliação do acesso e porte de armas contra a lei; saída do pacto global de imigração; isso sem falar no patrocínio e aumento às execuções extrajudiciais, especialmente no Rio de Janeiro. Essas são apenas algumas amostras do que Kim Scheppelet chama ‘legalismo autoritário’. Liberais e progressistas precisam deixar claro que aquilo que os separa não suplanta o que têm em comum: a lealdade ao constitucionalismo democrático”. Rosângela Bittar, na quarta, no Valor, em texto chamado “Presidencialismo a custo zero”, aborda o autoritarismo, mas também a estratégia vacilante do presidente: “Bolsonaro tenta inaugurar um presidencialismo de custo zero, esticando e afrouxando a corda quando lhe convém”. Janio de Freitas, em artigo intitulado “Sinais do risco”, na Folha deste domingo, destaca: “A democracia começa a ficar fora de controle. Com ela, Bolsonaro nunca teve compromisso, nem quando congressista”.

Leia o artigo de Eugênio Bucci em:

https://opiniao.estadao.com.br/noticias/espaco-aberto,sera-tragedia-ou-sera-chanchada,70002839817

Leia o artigo de Oscar Vilhena Vieira em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/oscarvilhenavieira/2019/05/legalismo-autocratico.shtml

Leia o artigo de Rosângela Bittar em:

https://www.valor.com.br/politica/6269595/presidencialismo-custo-zero

Leia o artigo de Janio de Freitas em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/janiodefreitas/2019/05/sinais-do-risco.shtml

* Em decorrência das recorrentes crises enfrentadas pelo governo Bolsonaro, têm se tornado mais presentes as discussões em torno do chamado “parlamentarismo branco” – no qual o presidente enfraquecido, ficaria à mercê da agenda do Congresso Nacional – ou até mesmo da possibilidade de um impeachment do presidente. Tabata Amaral, na segunda, na Folha, em artigo intitulado “Renúncia ou impeachment?”, vai direto ao ponto: “Em um Brasil tão machucado social e economicamente, já não há espaço para fantasiosas teorias da conspiração. Se Bolsonaro persistir nesse caminho, a história só aponta dois resultados possíveis: renúncia ou impeachment”. Já Maria Cristina Fernandes, no Valor, na quinta, em seu artigo “Com quantos golpes se faz uma republiqueta?” problematiza a banalização do impeachment como resolução dos problemas políticos do país: “Tirar um presidente do cargo é garantia última de uma Constituição que aí está para lembrar aos cidadãos que há compromissos históricos assumidos pelo concerto de interesses que um dia tiveram um projeto de nação. Se estes já não cabem no Brasil, cabe refazê-los, mediá-los e distribuir perdas para poucos e fortes e ganhos para muitos que, por fracos, dela estão à margem. Isso se constrói em casa, nas ruas e nas instituições. O resto é golpe e republiqueta”.

Leia o artigo de Tabata Amaral em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tabata-amaral/2019/05/renuncia-ou-impeachment.shtml

Leia o artigo de Maria Cristina Fernandes em:

https://www.valor.com.br/politica/6271409/com-quantos-golpes-se-faz-uma-republiqueta

* Apesar das medidas autoritárias do governo, tem havido várias iniciativas de resistência por parte da sociedade civil. Alguns artigos publicados no decorrer desta semana buscaram diagnosticar algumas dessas iniciativas. Vinicius Mota, em texto publicado na segunda, na Folha, “Democracia já emparedou o autoritarismo”, destaca: “Delineia-se, na reação ao Cérbero populista, o Partido Institucionalista. Lideranças e organizações que se esbofetearam nos últimos anos, como se combatessem o inimigo mortal, redescobrem sua filiação comum aos pactos fundamentais do civismo. (…). Jair Bolsonaro, reduzido a seu átomo original, talvez faça bem ao Brasil. Vai depender de como evoluirá o grande consenso que se esboça contra ‘isso daí’.” Ilona Szabó de Carvalho, na quarta, também na Folha, em texto intitulado “A retomada do espaço cívico”, também chama a atenção para o surgimento de frentes pluripartidárias de resistência às políticas educacionais, de armamento e do meio ambiente: “E vejo que já há muita gente despertando para isso e está aí o meu otimismo fora de hora”. Miriam Leitão destaca aspecto semelhante em seu artigo publicado no jornal O Globo, na sexta: “A sociedade se move”: “Nas democracias, é assim que funciona. O Executivo tem o direito de fazer suas propostas, como essa, de organização administrativa, e o Congresso influencia no resultado final. Às vezes piora, às vezes corrige. O governo faz as propostas de políticas públicas, mas os cidadãos se manifestam contra o que acham inaceitável. A pressão contra o contingenciamento na educação fez reverter uma parte dele”

Leia o artigo de Vinicius Mota em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciusmota/2019/05/democracia-ja-emparedou-o-autoritarismo.shtml

Leia o artigo de Ilona Szabó em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ilona-szabo/2019/05/a-retomada-do-espaco-civico.shtml

Leia o artigo de Miriam Leitão em:

https://blogs.oglobo.globo.com/miriam-leitao/post/sociedade-em-movimento-2405.html

* Uma temática que também recebeu bastante atenção no cenário político da semana foi o embate em torno do decreto das armas editado pelo governo Bolsonaro, que, frente a pressões, acabou passando por alterações. Sobre esta questão, destaco a carta de vários governadores publicada no jornal O Globo na quarta, em formato de artigo, colocando-se contrários ao decreto: “Como governadores de diferentes estados do país, manifestamos nossa preocupação com a flexibilização da atual legislação de controle de armas e munições em razão do decreto presidencial n. 9.785 (07 de maio de 2019) e solicitamos aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da União que atuem tanto para sua imediata revogação como para o avanço de uma efetiva política responsável de armas e munição no país.” Demétrio Magnoli publicou na segunda, no jornal O Globo, um bom artigo chamado “Às armas, milicianos” em que também aborda esta temática: “Sob o manto do decreto, milicianos registrados como advogados, jornalistas, políticos, donos de escola de tiro ou residentes no meio rural ganhariam o direito de portar armas, adquirir pistolas sofisticadas no mercado legal e comprar vastas quantidades de munições (…). O decreto presidencial ajudar a armar as milícias, legaliza o crime organizado e oferece um precioso ‘excludente de ilicitude’ para os ‘grupos de policiais’ celebrados pelo 01. Sergio Moro assiste, inerte, ao espetáculo deprimente”.

* Leia a carta dos governadores em:

https://oglobo.globo.com/brasil/em-carta-aberta-14-governadores-pedem-revogacao-do-decreto-de-bolsonaro-que-flexibiliza-porte-de-armas-23682046

* Leia o artigo de Demétrio Magnoli em:

https://oglobo.globo.com/opiniao/as-armas-milicianos-23675966

* Outra questão que recebeu bastante atenção na agenda política desta semana e impulsionou a publicação de artigos interessantes na imprensa foi a votação que ocorreu no Supremo Tribunal Federal, que, ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4277 e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132, reconheceu a união estável para casais do mesmo sexo. Sobre o tema, destaco artigo de Thiago Amparo, publicado na sexta, na Folha: “Ao Legislativo o que é do Legislativo. Se decidir acordar do sono profundo da inércia deliberante, o Legislativo pode assumir seu papel institucional e pela primeira vez afirmar direitos LGBTs, criminalizando a LGBTfobia. Caberá ao STF, mesmo se aprovada tal lei até dia 5 de junho, decidir se ela oferece proteção integral aos LGBTs”.

Leia o artigo de Thiago Amparo:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/thiago-amparo/2019/05/ao-criminalizar-lgbtfobia-stf-reafirma-seu-papel-perante-legislativo.shtml

* Na política internacional, um dos acontecimentos que mais recebeu destaque nos últimos dias foi a renúncia da primeira-ministra britânica, Thereza May, após o fracasso em encaminhar uma solução para o Brexit. Sobre o tema, destaco artigo publicado na sexta no site da UOL por Luiz Felipe de Alencastro, “A demissão de May e a saída da União Europeia”: “Os editorialistas londrinos, confirmando uma sondagem publicada na semana passada pelo The Times, apontam Boris Johnson, como o provável sucessor de Theresa May. Nesta hipótese, aumentam as chances de ocorrer um hard Brexit, uma saída radical, não negociada, do Reino Unido (RU)”. Relacionado a esta temática, também indico a leitura do artigo de Tom Whyman, publicado na edição da revista Piauí deste mês de maio, intitulado “Cenas de um Brexit sem fim”, no qual o autor analisa os rumos do Brexit e destaca os riscos que o desencanto do cidadão comum com os impasses da classe políticas possa levar ao fortalecimento de discursos fascistas: “O Brexit mantém com o conhecimento uma relação comparável à que um buraco negro tem com a luz: ele impede que dele se extraia qualquer clareza, engole toda e qualquer ideia e emperra a razão. Não há quem entenda o Brexit”

Leia a coluna de Luiz Felipe de Alencastro em:

https://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/luiz-felipe-alencastro/2019/05/24/a-demissao-de-theresa-may-e-a-uniao-europeia.htm

Leia o artigo de Tom Whyman em:

https://piaui.folha.uol.com.br/materia/cenas-de-um-brexit-sem-fim/

Indicação de livro de política na semana: Na contramão da liberdade: a guinada autoritária nas democracias liberais (Timothy Snyder, Companhia das Letras, 2019)

Cultura

* Na cena cultural brasileira, uma das principais notícias da semana foi a premiação de Chico Buarque com o Prêmio Camões. Em relação à premiação de Chico e sua obra literária, destaco quatro artigos publicados na imprensa, saber: dois de Sergio Rodrigues, na Folha, na quarta e na quinta; de Pedro Tadeu, publicado no Diário de Notícias, de Portugal, na quarta; e do escritor José Eduardo Agualusa, no jornal O Globo, no sábado.

Leia os artigos de Sergio Rodrigues em:

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/05/nobel-de-bob-dylan-se-sentiria-a-vontade-no-colo-de-chico-buarque.shtml

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2019/05/chico-e-a-obra-de-chico.shtml

Leia o texto de Pedro Tadeu em:

https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/pedro-tadeu/interior/chico-buarque-ensinou-o-que-10926786.html

Leia o texto de José Eduardo Agualusa em:

https://oglobo.globo.com/cultura/o-premio-camoes-para-chico-buarque-justo-necessario-23692406

* Outra notícia importante para a cultura brasileira foi a premiação em Cannes de dois filmes brasileiros: A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, de Karim Aïnouz e Bacurau, de Kleber Mendonça Filho. Destaco o artigo de Inácio Araújo publicado na Folha deste domingo sobre a premiação: “Esses prêmios recentes e boas críticas, assim como no começo dos anos 1960, talvez indiquem que o Brasil está próximo de um novo momento de reconhecimento de seu cinema. Para um país tão inseguro a respeito de si mesmo, o que o mundo diz a nosso respeito tem muita repercussão interna, sim”

Leia o artigo de Inácio Araújo em:

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/05/premios-em-cannes-mostram-brasil-perto-de-um-novo-ciclo-de-reconhecimento.shtml

* Na quinta-feira, no site da revista Quatro Cinco Um, Paulo Roberto Pires publicou o artigo “A crítica da razão lacradora” sobre “a tragédia do debate intelectual contemporâneo”, que vale muito a leitura: “Pois a razão lacradora desconhece sinalização ideológica: em sua lógica só há lacradores e lacrados, que trocam de posição ao sabor de movimentos impetuosos. Conclui: “A razão lacradora é o espírito do nosso tempo. Se mantido o virtuosismo com que é aplicada, em pouco tempo seremos todos imbatíveis. E, quem sabe, em 2022, à sombra das lacrações em flor, a confirmaremos no poder por mais quatro anos. Pois lacrar é só o que eles precisam. E é tudo o que podem”.

Leia o artigo de Paulo Roberto Pires em:

https://www.quatrocincoum.com.br/br/colunas/critica-cultural/a-critica-da-razao-lacradora

* Indico também a leitura do artigo do crítico Eduardo Scorel na revista Piauí deste mês de maio, “A direita na tela”, sobre o documentário 1964: O Brasil em armas, memória pessoal e análise do documentário: “Ao anunciar a partir de fevereiro deste ano que 1964: O Brasil entre Armas e Livros “tem o objetivo de mostrar o outro lado do Regime Militar”, a empresa Brasil Paralelo evita nomear qual foi o regime de governo instaurado a partir do golpe que se manteve em vigor de 1964 a 1985. Ao mesmo tempo, desconsidera cinco décadas de historiografia, brasileira e estrangeira, por julgá-la parcial e omissa. Despreza, ainda, a contribuição do jornalismo, da música popular, da literatura, do teatro e de filmes para o conhecimento do período”

Leia o artigo de Eduardo Scorel em:

https://piaui.folha.uol.com.br/materia/direita-na-tela/

Indicação de livro de ficção na semana: O irmão alemão (Chico Buarque, Companhia das Letras, 2014)

* Fernando Perlatto é um dos editores da Revista Escuta.

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