Por Fernando Perlatto*

Escuta Recomenda – Semana 3

A coluna “Escuta Recomenda” é publicada aos domingos, assinada por um dos editores da revista, Fernando Perlatto, com sugestões de leituras de textos de política e de cultura, publicados na imprensa ao longo da semana, além de indicações de livros.

Política

* Na semana que passou, marcada por mais trapalhadas do governo Bolsonaro, foram publicados vários artigos buscando analisar criticamente as características da conjuntura atual. Talvez um dos textos mais incisivos tenha sido aquele publicado na quinta-feira pelo colunista do jornal O Globo, Ascânio Seleme, intitulado “Um governo em que só a derrota interessa”: “Aos poucos, a República do Tiro no Pé foi se consolidando no entorno do presidente e hoje está instalada de maneira inequívoca e soberana no Palácio do Planalto”. A inabilidade do governo e sua incompetência também foi analisada por Maria Hermínia Tavares de Almeida, em seu artigo “Guia cego em zigue-zague” publicado na quinta, na Folha: “Sem entender esse xadrez político, nem inteligência política para aprender, Bolsonaro formou o governo de olho no Twitter e de costas para o Congresso e este lhe está retribuindo”. E diante do caos representado pelo governo Bolsonaro, alguns artigos no decorrer da semana passaram a abordar mais diretamente a possibilidade do impeachment do presidente. Em texto publicado na sexta, na Folha, Reinaldo Azevedo destaca: “Se o presidente Jair Bolsonaro continuar a ouvir apenas a horda de malucos que o cerca, não conclui o seu mandato. Já cometeu, e deixei isto claro há algum tempo nesta coluna, uma penca de crimes de responsabilidade. Falta que o ambiente político degenere o suficiente para que perca o apoio de ao menos um terço da Câmara. Os dois terços do Senado viriam por gravidade. Observem que falo em conclusão do “mandato”, não do “governo”. Este ainda não começou. Nem vai.”

Leia o artigo de Ascânio Seleme em:

https://oglobo.globo.com/opiniao/um-governo-em-que-so-derrota-interessa-23669025

Leia o artigo de Maria Hermínia Tavares de Almeida em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/maria-herminia-tavares-de-almeida/2019/05/guia-cego-em-zigue-zague.shtml

Leia o artigo de Reinaldo Azevedo em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/reinaldoazevedo/2019/05/impeachment-de-bolsonaro-entra-no-radar.shtml

* Outros artigos se dedicaram a analisar o caráter autoritário do governo Bolsonaro. Sergio Fausto, em texto intitulado “A viagem ideológica de Bolsonaro”, publicado no sábado no Estadão, compara o governo Bolsonaro com Hungria, Itália e Polônia, o que ele denomina de “troika do nacionalismo xenófobo e politicamente antiliberal no velho continente”: “No Brasil, o olavo-bolsonarismo opera com lógica política semelhante. Identifica alvos que poriam em perigo a pátria, a família e os valores tradicionais. À falta dos imigrantes, a extrema-direita brasileira encontrou no “marxismo cultural” e nos “corruptos” categorias abrangentes e elásticas para alvejar seus inimigos, incluída a centro-direita liberal. As Forças Armadas não têm escapado a esse enquadramento paranoide da realidade. Aqui como lá, são estigmatizados preferencialmente os gays, as feministas, os movimentos LGBT e os demais “ativismos” da sociedade civil, com exceção dos que têm base cristã.” Em sua coluna publicada na quinta, na Folha, “A balbúrdia de Weintraub”, o psicanalista Christian Dunker destaca o caráter autoritário do governo e sintetiza: “Se há método nesta loucura, é certamente o método da balbúrdia”. Já em sua coluna publicada no Estadão, também no sábado, o escritor Marcelo Rubens Paiva analisa o que ele denomina de “Uberliberalismo radical”: “O projeto em andamento é o da terra arrasada (…). É o projeto do uberliberalismo extremo, explícito, radical”.

* Leia o artigo de Sergio Fausto em:

https://opiniao.estadao.com.br/noticias/espaco-aberto,a-viagem-ideologica-de-bolsonaro,70002833657

Leia o artigo de Christian Dunker em:

https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/05/a-balburdia-de-weintraub.shtml

* Leia o artigo de Marcelo Rubens Paiva em:

https://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,uberliberalismo-radical,70002833492

* Outros artigos publicados no decorrer da semana buscaram refletir sobre o quanto o governo Bolsonaro se nutre da militância bolsonarista de extrema-direita, ao mesmo tempo em que a alimenta. Celso Rocha de Barros, em texto publicado na Folha na segunda-feira, analisa o projeto autoritário de Bolsonaro e o apoio no que chama de “olavismo”, a militância virtual radicalizada, que atua como uma espécie de partido: “O olavismo para Bolsonaro é uma máquina de populismo virtual, um substituto para o partido autoritário que falta ao bolsonarismo. (…). Jair Bolsonaro, seus filhos e os olavistas têm um projeto de populismo autoritário. O governo não funciona como governo normal porque não é esse o projeto.” Sobre a militância bolsonarista de extrema-direita que impulsiona e pressiona o governo para uma agenda mais radical, vale a leitura do artigo de Daniel Aarão Reis, publicado no sábado no jornal O Globo, intitulado “Os militantes do incêndio”: “O que mais preocupa são os nichos de ultradireita, autoritários e extremados, dos quais Bolsonaro é expressão. Foram eles que apoiaram o presidente na sua longa ‘travessia do deserto’. Nos difíceis anos em que rastejava no baixo clero do Congresso, eles o embalaram. Quando era condenado, o absolviam. Quando desprezado, o adulavam. Quando ridicularizado e escrachado, o incensavam, e o consideravam um ‘mito’. Agora, estes nichos querem governar e não se conformam em não ocupar o centro do palco. (…) Nestes nichos a reflexão ponderada e equilibrada não viceja; afinal, são de extrema direita. Almejam nacos importantes do poder e para isso já traçaram uma estratégia — promover e provocar conflitos, que sejam os mais severos e perigosos — porque só neste caldo grosso podem prosperar”. Já Celso Lafer, no domingo, no Estadão, destaca o quanto “o espírito de facção inspira o cerne ideológico do governo”: “(…) o forte facciosismo do governo no trato da sua inserção com a sociedade divide o País e não contribui para a reconstituição dos laços de confiança entre governo e governados. Sustenta-se na ideia de que existem inimigos e conspirações no Brasil e no mundo que cabe combater com vocação de cruzados, que desconhecem a distinção entre fatos e ficção e os critérios do pensamento na lida com o verdadeiro e o falso”

Leia o artigo de Celso Rocha de Barros em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/celso-rocha-de-barros/2019/05/o-olavismo-e-o-partido-autoritario-que-falta-ao-bolsonarismo.shtml

Leia o artigo de Daniel Aarão Reis em:

https://oglobo.globo.com/opiniao/os-desafios-de-uma-democracia-em-risco-23675127?fbclid=IwAR113_GG8FuSrQOYs7IPUBitQKoRrZHOw46YSTy8uNLMGXbJZs-OMIJ9JpY

Leia o artigo de Celso Lafer em:

https://opiniao.estadao.com.br/noticias/espaco-aberto,a-democracia-ea-nossa-conjuntura,70002834359

* Diante das dificuldades enfrentadas para governar, causadas não por fatores externos, mas pela própria incompetência, Bolsonaro fez circular na sexta-feira pelo Whatsapp um texto que abriu possibilidades para interpretações sobre interesses golpistas por parte do presidente. Entre os textos que buscaram responder a este movimento, destaco especialmente o editorial duro e preciso do Estado de São Paulo, publicado no sábado, “A ameaça de Bolsonaro”: “Isso é claramente uma ameaça à Nação. Conforme se considere o estado psicológico de Bolsonaro e de seus filhos, a ameaça pode ser o tsunami de uma renúncia ou o tsunami de um golpe de Estado em preparação. (…). Ao ‘contar com a sociedade’ para enfrentar o ‘sistema’, Bolsonaro repete o roteiro de outros governantes que, despreparados para a vida democrática – em que a vontade do presidente é limitada por freios e contrapesos institucionais –, flertaram com golpes em nome da ‘salvação’ nacional. Se tudo isso não passar de mais um devaneio, já será bastante ruim para um país que mergulha cada vez mais na crise, que tem seu fulcro não nas misteriosas ‘corporações’ – as suas ‘forças ocultas’ –, mas na incapacidade do presidente de governar”. Chamo também a atenção para o artigo sobre o “fantasma de Jânio Quadros” de Bernardo Mello Franco, publicado no domingo pelo O Globo: “Bolsonaro já imitou o antecessor nas cruzadas conservadoras. Censurou a propaganda de um banco público porque não gostou dos figurantes e ofendeu homossexuais ao dizer que o país dispensa o ‘turismo gay’ porque ‘nós temos famílias’. Ao flertar com a radicalização, o presidente sugere que o fantasma de Jânio continuará a nos assombrar”

Leia o editorial do Estadão em:

https://opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,a-ameaca-de-bolsonaro,70002833546

Leia o artigo de Bernardo Mello Franco em:

https://blogs.oglobo.globo.com/bernardo-mello-franco/post/fantasma-de-janio-assombra-o-pais-de-bolsonaro.html

* Dois artigos publicados esta semana na Folha de São Paulo destacam um problema de fundo da crise brasileira atual, que diz respeito à Emenda Constitucional aprovada durante o governo Temer, que estabeleceu o teto de gastos públicos, e que aumenta a tensão social em torno da disputa do fundo público. Em texto publicado na quinta, Laura Carvalho destaca: “Em reunião com investidores em Nova York, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pôs o dedo na ferida ao afirmar, na terça-feira (14), que a aprovação da reforma da Previdência não resolverá o problema de falta de crescimento da economia brasileira e que o teto de gastos, se não for revisto, pode levar o país ao ‘colapso social’.” Vinicius Torres Freire também analisa este aspecto: “Alguma coisa acontece no coração quando a gente chega à encruzilhada que dá numa recessão. Mais ainda quando se notam as notícias de maio: o teto de gastos do governo começa a trincar. Admite-se aqui e ali a ideia de rever o congelamento da despesa federal antes da data prevista, 2026”.

Leia o artigo de Laura Carvalho em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/laura-carvalho/2019/05/o-colapso-do-teto.shtml

Leia o artigo de Vinicius Torres Freire em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2019/05/teto-de-gasto-racha-governo-se-perde.shtml

* Em decorrência das manifestações que tomaram as ruas do país na quarta-feira em defesa da educação e contra os ataques do governo Bolsonaro, vários foram os artigos e entrevistas que se dedicaram a esta temática, sobretudo com reflexões importantes sobre as universidades públicas. Destaco, em primeiro lugar, texto de Gabriel Trigueiro, publicado na sexta-feira no site da revista Época, intitulado “As origens intelectuais do ataque bolsonarista às universidades públicas”: “Aqui um palpite investigativo adequado, me parece, seria o de comparar a crítica bolsonarista ao establishment intelectual e universitário brasileiro à mesma crítica surgida a partir do pós-Segunda Guerra nos EUA, com a emergência do movimento conservador, não somente como um fenômeno político organizado mas, sobretudo, como um fenômeno cultural e intelectual”. Trigueiro conclui: “(…) é bem óbvio que os ataques às universidades e à cultura de um modo geral não podem ser tratados como “cortinas de fumaça”, como quer certa esquerda, e sim como a própria essência desse fenômeno político de caráter revolucionário”. Na segunda-feira, no Estadão, a professora e vice-Reitora da UNICAMP, Tereza Dib Zambon Atvars, publicou um texto intitulado “Sobre balbúrdias, filosofia e universidades públicas”, que vale a leitura: “Esse debate somente pode fazer sentido entre leigos ou entre pessoas pouco afeitas à área da educação e à complexidade dos problemas sociais, econômicos e tecnológicos do País”. Como complemento, indico a leitura da entrevista do Reitor da USP, Vahan Agopyan, à Folha no sábado: “(…) o importante é notar que uma parte da sociedade está preocupada com a educação e começou a se manifestar. Fico muito preocupado quando há uma incompreensão da importância da educação para o desenvolvimento. Todos os países desenvolvidos investiram bastante em educação, da pré-escola ao pós-doutorado”. Por fim, fica a indicação da leitura do artigo publicado no site da revista Piauí, pela professora de Direito Constitucional, de Eloísa Machado, que aponta o caráter inconstitucional do decreto do governo Bolsonaro que busca estabelecer regras para nomeação de cargos na administração pública fere a autonomia universitária prevista na Constituição.

Leia o artigo de Gabriel Trigueiro em:

https://epoca.globo.com/as-origens-intelectuais-do-ataque-bolsonarista-as-universidades-publicas-artigo-23676332

Leia o artigo de Tereza Dib Zambon Atvars em:

https://opiniao.estadao.com.br/noticias/espaco-aberto,sobre-balburdias-filosofia-e-universidades-publicas,70002826167

Leia a entrevista de Vahan Agopyan em:

https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/05/bolsonaro-nao-entendeu-protestos-pela-educacao-afirma-reitor-da-usp.shtml

Leia o artigo de Eloísa Machado em:

https://piaui.folha.uol.com.br/o-governo-inconstitucional/

* Sobre as manifestações de quarta-feira e as diversas iniciativas de resistência que vêm ganhando força na sociedade civil contra o governo Bolsonaro, vale a leitura do artigo de Eliane Brum, “Eu + Um + Um + Um+” publicado na quinta, no El Pais, que ressalta a importância de sair da militância virtual e ocupar as ruas: “Não basta você ficar no sofá tuitando ou feicibucando enquanto os direitos são apagados e o autoritarismo se instala no Brasil. Não dá para terceirizar luta e posição na vida. O problema também é seu. O que está em curso não acaba em quatro anos. O que se destrói hoje levou décadas para ser construído. As consequências são rápidas, algumas imediatas. Destroem primeiro os mais frágeis, depois (quase) todos. E, a não ser que você concorde com o que o presidente contra o Brasil está fazendo em seu nome, é com você ser +um e chamar +um”. Jorge Coli, na “Ilustríssima”, da Folha, de domingo também destaca a importância dessas manifestações: “Precisamos que haja união dos espíritos livres, vindos de horizontes os mais diversos, sem acirramentos partidários (sobretudo os fraternos, que são os piores), união que permitiria vencer o país mal-assombrado de hoje. Quatro anos é muito tempo —tempo de sobra para a destruição. Não aguardemos até que o sapo morra”

Leia o artigo de Eliana Brum em:

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/15/politica/1557921007_146962.html

Leia o artigo de Jorge Coli em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jorge-coli/2019/05/brasil-bolsonarista-e-casa-mal-assombrada-em-filme-de-terror.shtml

* Diante do caos vivido na atual conjuntura, tem havido um abandono de setores da direita que haviam apostado no governo Bolsonaro como forma de derrotar as esquerdas.  A revista Época publicou uma reportagem, intitulada “Margem direita”, assinada pelos jornalistas Gustavo Schmitt e Sérgio Roxo, na qual discute o desencanto de lideranças e personalidades de direita com o atual governo, a exemplo do cantor Lobão, do Deputado Federal Kim Kataguiri (DEM), do colunista Reinado Azevedo e da jornalista Rachel Sheherazade. Sobre o tema das direitas, vale destacar artigo publicado por Mathias Alencastro, na segunda-feira, na Folha, “Ressuscitar os tucanos”, no qual destaca a importância do fortalecimento do PSDB como força da centro-direita, de modo a isolar os radicalismos da extrema-direita “Formações como a UMP francesa, arquitetada por Jacques Chirac, o espanhol Partido Popular, organizado por José María Aznar, e, justamente, o brasileiro PSDB, na altura comandado por Fernando Henrique Cardoso, tinham em comum a característica de disputar o eleitorado de centro e ao mesmo tempo marginalizar a extrema-direita. A crise financeira global de 2008 e o subsequente colapso do sistema partidário estilhaçaram essas formações, abrindo espaço para o surgimento de movimentos identificados como centristas e populistas que reacenderam a disputa entre as três direitas. (…). Se descartarmos as soluções messiânicas, a legenda permanece a única com potencial para reconquistar aos populistas o comando do campo conservador”. Ainda sobre as direitas, vale a leitura de artigo publicado pelo economista André Lara Resende, no Valor, na segunda, intitulado “Liberalismo e dogmatismo”, no qual destaca os limites do “dogmatismo fiscal” do governo, ao apostar na Reforma da Previdência como tábua de salvação da economia: “O programa dos tecnocratas que estão no comando da economia parece estar condicionado à aprovação da reforma Previdência, uma reforma há décadas mais do que necessária, mas na qual não faz sentido depositar todas as esperanças. Transformada num cavalo de batalha com o congresso, insistentemente bombardeada como imprescindível pela mídia, a reforma da Previdência, ainda que aprovada sem grande diluição, como os resultados não são imediatos, não será suficiente para resolver o problema fiscal dos próximos anos. Também não será capaz de despertar a fada das boas expectativas. (…) No Brasil, a obsessão pelo equilíbrio fiscal no curto prazo é uma autoimposição tecnocrática suicida. O liberalismo econômico do governo parece estar subordinado ao seu dogmatismo fiscal. Como liberalismo e dogmatismo são incompatíveis, o liberalismo sairá inevitavelmente derrotado”

Leia a reportagem da revista Época em:

https://epoca.globo.com/por-que-vozes-conservadoras-estao-se-voltando-contra-bolsonaro-23669811

Leia o artigo de Mathias Alencastro em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mathias-alencastro/2019/05/ressuscitar-os-tucanos.shtml

Leia o artigo de André Lara Resende em:

https://www.valor.com.br/opiniao/6251307/liberalismo-e-dogmatismo

* Nos próximos dias se iniciarão as eleições para o Parlamento Europeu nos 28 países-membros da União Europeia. Em artigo publicado na Folha neste domingo, intitulado “A Europa encara seus fantasmas”, Clovis Rossi reflete sobre o possível fortalecimento da extrema-direita: “Não que haja possibilidade de que a extrema direita eleja a maioria dos 751 eurodeputados. As pesquisas mostram que a maioria ficará com a coleção, somada, das quatro famílias que defendem o projeto de União Europeia (a social democracia, a direita civilizada —representada no Parlamento pelo Partido Popular Europeu—, os liberais e os verdes). O que, sim, pode acontecer é que os grupos de ultradireita consigam cadeiras suficientes para bloquear as iniciativas integracionistas”

Leia a coluna de Clovis Rossi em:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/clovisrossi/2019/05/europa-encara-seus-fantasmas.shtml

* O dia 13 de maio foi marcado por reflexões sobre a abolição da escravidão no Brasil. Entre os textos publicados sobre a temática, destaco aqueles elaborados por Hebe Mattos, Ana Flavia Magalhães Pinto, Keila Grinberg, Martha Abreu, Giovana Xavier e Mônica Lima para o blog Conversa de Historiadoras. Além disso, indico a entrevista publicada na Folha na segunda-feira com Jamile Borges, pesquisadora e professora do Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia, na qual, além de problematizar a celebração da data de 13 de maio em detrimento do 20 de novembro, data de morte de Zumbi, líder do quilombo dos Palmares – “o 13 de Maio é resultado de uma historiografia oficial que contou a história a partir de uma perspectiva, a dos vencedores, a de uma oligarquia e uma classe média branca que preferem creditar à princesa Isabel o resultado pela abolição e pela libertação das populações escravizadas – critica o que chama de “patrimonialização da dor”. “Os usuários do museu americano sobre afrodiáspora evocavam uma memória de luta, de resistência; já os usuários brasileiros desses museus evocam a memória da dor. São duas construções muito diferentes. (…) nossas instituições de memória ainda têm um comprometimento maior com o retrato do passado do que em construir resistências, em fazer dos museus espaços de fricção, de disputa, em lugar de ser espaço de consenso sobre o passado atávico colonial”.

Leia os artigos do blog Conversas com historiadoras em:

Porque hoje é 13 de Maio … por Hebe Mattos, Ana Flavia Magalhães Pinto, Keila Grinberg, Martha Abreu, Giovana Xavier e Mônica Lima.

Leia a entrevista de Jamile Borges em:

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/05/brasil-tende-a-evocar-a-dor-do-negro-em-vez-de-lembrar-a-luta-diz-antropologa.shtml

Indicação de livro de política na semana: Democracia em risco? 22 ensaios sobre o Brasil hoje (vários autores, Companhia das Letras, 2019)

Cultura

* Gilberto Gil concedeu uma entrevista longa a um blog do Estadão, publicada na terça, na qual discute não apenas aspectos ligados ao seu disco lançado este ano, Ok, Ok, Ok, mas questões ligadas à conjuntura política atual. À pergunta, “Que diagnóstico você faz do Brasil?”, Gil responde: “Numa civilização ainda não inteiramente voltada para as promessas do futuro, parcialmente entregue ao anacronismo sócio-político-econômico do passado colonial e neocolonial, tentada a embarcar num arcaico populismo sedutor sob as bênçãos de uma democracia vacilante, o Brasil teima em contrariar nossas expectativas de um novo salto civilizacional. (Recomendo a audição da canção “Outros viram” de minha autoria com Jorge Mautner). Esboça-se, pela primeira vez em nossa história, o temor de que a redenção brasileira esteja lidando, não apenas com mais um adiamento, mas com o fantasma de uma terrível impossibilidade. Estamos com medo do futuro. Isso é inédito”.

Leia a entrevista de Gilberto Gil em:

https://brasil.estadao.com.br/blogs/inconsciente-coletivo/gilberto-gil-bolsonaro-me-inspira-a-oracao/

* O blog da revista Piauí publicou uma reportagem que aborda o fenômeno dos podcasts e sua difusão recente. Segundo a reportagem, de acordo com pesquisa realizada pelo Ibope, “quatro em cada dez internautas já ouviram podcast no Brasil”. Além da reportagem, indico os vídeos da “Maratona Piauí de Podcast”, nos quais vários especialistas discutem esta temática.

Veja reportagem no blog da revista Piauí em:

https://piaui.folha.uol.com.br/quatro-em-cada-dez-internautas-ja-ouviram-podcast-no-brasil/

Veja os vídeos da “Maratona Piauí de Podcast” em:

https://www.youtube.com/playlist?list=PLn_YkZF2TTNs2aqIZscZ6zeV2ZD1TEbpf

* O jornal O Globo publicou no sábado, no “Segundo Caderno”, uma reportagem baseada em pesquisa inédita do Oi Futuro, segundo a qual para a maioria dos brasileiros os museus são monótonos. Vale a leitura da reportagem, que apresenta alguns exemplos que museus pelo mundo que vêm buscando criar novas formas de interação para chamar a atenção do púlico.

Leia a reportagem do jornal O Globo em:

https://oglobo.globo.com/cultura/mais-da-metade-dos-brasileiros-acha-os-museus-monotonos-artistas-curadores-dao-ideias-para-espanar-po-das-instituicoes-23675265

* Sergio Augusto publicou no caderno “Aliás”, do Estadão, de domingo, um artigo no qual aborda a redescoberta pelo mercado editorial de escritoras brasileiras – a exemplo de Chrysantème, Júlia Lopes de Almeida e Maria Firmina dos Reis – que haviam sido relegadas pelo cânone da literatura nacional.

Leia o artigo de Sergio Augusto em:

https://alias.estadao.com.br/noticias/geral,relegadas-do-canone-escritoras-brasileiras-sao-redescobertas,70002831996

* Luiz Carlos Oliveira Junior publicou neste domingo na “Ilustríssima”, da Folha, artigo em que aborda o crescimento das ficções apocalípticas na TV e no cinema, em consonância com os atuais tempos sombrios.

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/05/onda-de-fim-do-mundo-aterroriza-cinema-e-tv.shtml

Indicação de livro de ensaio na semana: Tumulto, de Hans Magnus Enzensberger (Todavia, 2019) [a revista Piauí, em sua edição de abril de 2019, publicou um trecho do livro: <https://piaui.folha.uol.com.br/materia/tempos-heroicos/>]

* Fernando Perlatto é um dos editores da Revista Escuta.