Gabriela Theophilo*

Third World Quaterly é um periódico acadêmico fundado em 1979, atualmente publicado por Taylor&Francis e editado por Shahid Qadir. Seu comitê editorial era composto, até setembro deste ano, por 34 intelectuais originários de diversas partes do mundo. Trata-se de uma publicação especializada em Area studies (ou regional studies) e Development studies. Area Studies é um campo de pesquisa interdisciplinar que abarca ciências sociais e humanidades, em geral, incluindo questões relativas ao “mundo não ocidental” e que se tornou popular nos EUA no período do pós-Guerra. Evidentemente, esse campo ganhou ainda mais vigor com a ascensão das vozes pós-coloniais, entre os anos 70 e 80. O periódico acima mencionado tornou-se, portanto, uma importante referência na incorporação de pesquisas tanto sobre o mundo não ocidental, quanto produzidas a partir dessas regiões do planeta. Sobre a linha editorial da revista, portanto, Vijay Prashad, um dos ex-membros do comitê editorial, afirmou que ela foi fundada pelo jornalista paquistanês Altaf Gauhar com o intuito de “estimular a agenda anti-imperialista” e para que o Terceiro mundo pudesse “falar com sua própria voz”. [i]

No dia 8 de setembro de 2017, porém, Third World Quaterly publicou, na seção viewpoint essay, o artigo The case for colonialism, de Bruce Gilley, professor do Departamento de ciência política na Portland State University. Neste ensaio, bem definido por Portia Roelofs e Max Gallien como “o equivalente acadêmico de um tweet de Trump”[ii], o autor não apenas afirma que o colonialismo não foi tão pernicioso quanto se divulga, mas defende o seu retorno. O argumento e o programa do artigo estão sintetizados no resumo:

“Durante os últimos cem anos, o colonialismo ocidental tem tido uma reputação ruim. Já passou da hora de questionar essa ortodoxia. O colonialismo ocidental foi, de modo geral, ao mesmo tempo objetivamente benéfico e subjetivamente legítimo na maior parte das regiões em que existiu, mobilizando-se medidas realistas destes conceitos. Os países que aceitaram sua herança colonial foram largamente mais bem sucedidos do que os que a rejeitaram. A ideologia anticolonial impôs graves prejuízos (…) e continua impedindo um desenvolvimento sustentável e um encontro frutífero com a modernidade em muitos lugares. O colonialismo pode ser recuperado por fracos e frágeis Estados, atualmente, de três maneiras: a partir da reivindicação de modos coloniais de governo, pela recolonização de algumas áreas e criando novas áreas coloniais”.[iii]

Esse parágrafo já seria suficientemente perturbador. Mas o artigo continua, reativando o velho argumento do “fardo do homem branco” que deve cumprir sua “missão civilizatória” para, em um “gesto generoso”, salvar os povos da pobreza e da inépcia política na qual teriam se afundado a partir da década de 1950. Em seus termos:

“Isso envolve reafirmar a primazia das vidas humanas, dos valores universais e das responsabilidades compartilhadas – a missão civilizatória (…). Países ocidentais e não ocidentais deveriam reivindicar o conjunto de ferramentas e a linguagem colonial como parte de seu comprometimento com a governança e a ordem internacionais efetivas. (…) Pesquisas (…) que incluem múltiplas dimensões de custos e benefícios (…) encontraram evidências de significantes ganhos sociais, econômicos e políticos sob o colonialismo: educação expandida, incremento da saúde pública, abolição da escravidão, (…) criação de infraestrutura básica (…) geração de conhecimento histórico e cultural, formação de identidade nacional (…). O anticolonialismo destruiu países quando elites nacionalistas mobilizaram a população iletrada com apelos para a destruição das economias de mercado, de políticas plurais e constitucionais e do processo político racional dos colonizadores europeus”.[iv]

Naturalmente, a publicação deste texto teve um impacto imediato no meio acadêmico, em geral, e entre o comitê editorial da revista, em particular. Inicialmente, circularam duas petições online, assinadas por pessoas de todas as áreas e profissões, pedindo a retratação do editor do periódico pela publicação.[v]  Em seguida, 15 membros do comitê editorial (ou seja, quase metade do total) decidiram-se por deixar de participar do órgão. Em carta aberta aos editores, o comitê afirmou que o artigo de Bruce Gilley teria sido rejeitado por pareceristas (em regime de leitura cega) em três ocasiões. Nesse caso, ainda segundo a carta, o comitê deveria ter sido consultado, o que não ocorreu.[vi] Sendo assim, a publicação fora uma decisão unilateral do editor, em busca do aumento do número de views da revista.[vii]

Além dessa manifestação mais imediata, houve, também, uma série de artigos em resposta, explicitando a distorção dos argumentos de Gilley (especialmente em sua lógica de “custo-benefício”) e relembrando o caráter altamente devastador e violento do colonialismo, em termos humanos e culturais. Nesse sentido, Vijay Prashad afirmou:

“O ensaio aparece na era de Donald Trump, quando a supremacia branca está de volta e o impulso do colonialismo no horizonte. A ideia de que liberals, pós-coloniais e marxistas tenham “difamado” a “história do homem branco” é um refrão constante entre os racistas. (…) “Talvez belgas devessem voltar ao Congo”, sugere o autor – uma declaração que ignora, ao menos, dez milhões de pessoas massacradas em uma década pela política predatória implantada no Congo pelo Rei Leopoldo da Bélgica. Uma série de estudos acadêmicos reputados existentes sobre o Congo incluem: (…). Nenhum desses aparece no referido ensaio (…). Eles estão meticulosamente cegos (…) para os crimes do colonialismo”.[viii]

Em outro artigo de resposta, Nathan J. Robinson desconstrói a análise de “custo-benefício” de Gilley, citando não apenas o caso do Congo, mas do Quênia, da Índia e da Namíbia – devastados por Inglaterra e Alemanha. Do ponto de vista moral, portanto, segundo Robinson, a negação ou a diminuição dos crimes do colonialismo a partir do argumento de implementação de uma análise de “custo-benefício”, poderia ser comparada à negação do Holocausto. Em suas palavras:

“Gilley sequer menciona o racismo, ou as variadas feridas psicológicas infligidas nos povos colonizados por uma ideologia desumanizante (como explicado por Aimé Césaire, Frantz Fanon e Albert Memmi) – estes também não mencionados. (…). Se alguém afirma empreender uma análise de “custo-benefício” e ignora as atrocidades coloniais, está fabricando uma história. Gilley diz que o anticolonialismo é apenas uma ideologia “esquerdista” que ignora os fatos, mas é o seu artigo que constrói uma versão factualmente equivocada da história do colonialismo, uma em que colonialistas agiram por razões ‘benevolentes e civilizacionais’, primordialmente devotados à abertura de escolas e hospitais e impondo um governo eficiente”.[ix]

O ensaio de Gilley pode ser criticado não apenas pela perspectiva factual, mas, também, a partir de um enfoque conceitual.  Como que saído diretamente de um gabinete da alta hierarquia administrativa de uma nação imperialista em meados do século XIX, ele mobiliza conceitos como os “Estado-nação”, “identidade nacional”, “economia de mercado” e “infraestrutura industrial” como “naturalmente” bons e fundamentais para o “progresso” dos povos – “progresso”, aí, também lido a partir de uma perspectiva ocidental e igualmente positivado sem questionamentos. Ou seja, o autor fundamenta toda a sua argumentação em uma cosmovisão específica, acionada como valor universal e irrefutável. É como se ele simplesmente ignorasse meio século de antropologia cultural e, no mínimo, três décadas de cultural studies e de crítica pós-colonial. Certamente, não se trata de ignorância.

Um excelente contraponto a essa episteme (incorporada como consciência universal) vem das recentes reflexões decoloniais. Segundo Rámon Grosfoguel, a crítica decolonial não pretende ser essencialista, fundamentalista, ou “anti-Europa”. Trata-se de uma perspectiva que questiona fundamentalismos, colonialismos e nacionalismos tanto eurocêntricos, como originários do “Terceiro Mundo”. Todo fundamentalismo, ainda de acordo com Grosfoguel, é uma premissa de que há apenas uma tradição epistêmica que alcança Verdade e Universalidade. A perspectiva decolonial quer evitar, assim, a fundamentação em abstratos universais, buscando construir-se em diálogos críticos com diferentes projetos epistêmico-ético-políticos, em direção a um mundo “pluriversal”.[x]

É preciso, então, considerar cosmologias, insights e perspectivas epistêmicas de e com espaços e corpos racial-étnica e sexualmente subalternizados. Somente assim, sempre segundo Grosfoguel, seria possível romper a colonialidade do poder/saber. Com base em reflexões de Enrique Dussel, Gloria Anzaldúa e Frantz Fanon, Grosfoguel nomeia esse esforço de bodypolitics of knowledge, que nada mais é do que a apreciação do lugar de enunciação, ou seja, do lugar geopolítico e corpo-político do sujeito que fala. A observação da materialidade do lugar de enunciação coloca o sujeito no interior de um cruzamento (ou intersecção) de hierarquias e poderes que já não serão omitidos ou apagados da análise. Essa perspectiva contrapõe-se, assim, à “egopolítica do conhecimento”, característica do cânone da filosofia ocidental. A partir da separação entre o sujeito que pensa e o lugar material, étnico, racial e sexual de onde pensa, a filosofia ocidental foi capaz de produzir um conhecimento que se assume como universalmente verdadeiro e que oculta as estruturas de poder sobre as quais está fundado.

Com a expansão colonial, então, nas palavras de Grosfoguel, “o patriarcado europeu e as noções europeias de sexualidade, epistemologia e espiritualidade foram exportadas como critério hegemônico para racialização, classificação e patologização do restante da população mundial, em uma hierarquia de raças inferiores e superiores”.[xi] Os processos de independência política, por sua vez, obscureceram as continuidades entre o passado colonial e as vigentes hierarquias coloniais/raciais. Os Estados periféricos formalmente independentes seguem o modelo dominante “liberal eurocêntrico”, buscando “identidade nacional”, “desenvolvimento” e “progresso” – ainda que seus sistemas políticos e econômicos tenham sido construídos em posição subordinada na hierarquia da divisão internacional do trabalho. A “colonialidade” persistente, que Grosfoguel, junto a outros intelectuais, identifica, está inscrita, assim, não apenas nas relações de exploração (entre capital e trabalho), e nas relações de dominação (entre Estados centrais e periféricos), mas também na produção de subjetividades e saberes.

A descrição sistemática de Grosfoguel nos auxilia na percepção dos mecanismos epistêmicos que conformam a narrativa de Gilley. Enquanto inúmeros estudiosos (em todo o mundo ocidental e não ocidental), buscam imaginar novos mundos (a perspectiva utópica é assumida) e pensar em soluções originais para os problemas contemporâneos a partir do cruzamento de diferentes epistemes e cosmologias, Gilley prevê como “remédio” para esses problemas o mesmo sistema (político-econômico-epistêmico) que os engendrou.

Revisionismos estão em alta, no Brasil e no mundo. Esses revisionismos carregam consigo projetos que se contrapõem a debates e liberdades arduamente (e sempre parcialmente) construídos e conquistados com a derrota política e bélica dos fascismos e colonialismos. Se há projetos, há disputa e, nesse sentido, pensando a partir da historiografia e da teoria da história, como travar esse combate?

Em 1952, Lucien Febvre reuniu um conjunto de artigos em livro denominado Combates pela história. Nesses artigos, ele dissertava sobre o projeto dos Annales e, sobretudo, exortava, em oposição à historiografia tal como imaginada ao longo do século XIX, a construção de uma historiografia “mergulhada na vida” e a ela servindo. Muito além de um combate metodológico a uma determinada história “factual e política”, o que esteve em jogo, tanto para Febvre, quanto para Bloch, foi um projeto ético. Na década de 1930, como nos anos de 1950, tratava-se de combater nacionalismos e racismos, de defender a produção de uma historiografia internacionalista e colaborativa, não subordinada aos Estados Nacionais.

Segundo Febvre, a “historiografia do século XIX”, na ambição de afirmar-se como “ciência neutra”, ocultou o fato de que ela mesma, enquanto disciplina, estava inscrita no mundo social e submetida a seus constrangimentos: “a ciência não é um império dentro do império. Não se separa do meio social em que se elabora. Sofre sua pressão, o constrangimento de contingências múltiplas que pesam sobre seu desenvolvimento”. O historiador, de acordo com Febvre, parte das questões de seu tempo e “interpreta, organiza (…) e não há nisso nenhum escândalo (…). A ciência não se faz numa torre de Marfim. Faz-se a par e passo com a vida”. Em diversos momentos ao longo de seus artigos, Febvre afirma que a história é “ciência do homem”, de modo que o historiador deve, portanto, saber penetrar nos “dramas humanos” de seu tempo. Em conferência pronunciada em 1941 para os alunos da École Normale Superieure, Febvre exortava os alunos à ação: “é preciso que a história deixe de vos aparecer como uma necrópole adormecida (…) é preciso que no velho palácio silencioso onde ela dorme, vocês penetrem, animados da luta, todos cobertos da poeira do combate (…).[xii]

A perspectiva de Marc Bloch, como se sabe, era muito similar. A historiografia, sem despir-se de seriedade de método, como “ciência dos homens no tempo”, deveria, também, servir à ação, servir aos homens e à vida de seu próprio tempo. Não por acaso, no primeiro capítulo do ensaio “Apologia da história”, ele compara o historiador ao “ogro da lenda”: “onde fareja carne humana, sabe que ali está sua caça”. Nesse ensaio, escrito em uma prisão nazista em função de sua participação na Resistência francesa, ele afirmava, ainda, que “em matéria intelectual, horror da responsabilidade não é sentimento recomendável”.  Segundo diagnóstico de Jacques LeGoff, para Bloch, como para Febvre (pode-se acrescentar), a ciência histórica se consumava na ética.[xiii]

Partindo de um contexto de debates totalmente diverso, o historiador norte-americano Hayden White vem propondo, nos últimos anos, uma discussão em torno da ideia de “passado prático”. O desenvolvimento dessa reflexão é resultado de análises que White vem fazendo desde os anos de 1970, sobre o caráter narrativo do discurso histórico. Segundo White, a realidade não possui um sentido prévio, evidente em si mesmo, que seja anterior ao discurso. Quando se trata de representar o passado, portanto, “um todo em constante mutação”, são os historiadores que constroem o sentido, a partir de estruturas de enredo e de tropos literários. O que se costuma chamar de “passado histórico”, então, é sempre uma construção e uma versão seletiva do “passado”, ou seja, dessa “totalidade de eventos e entidades que existiram, mas não mais existem”.[xiv]

Em texto em que apresenta a ideia de “passado prático”, White atesta que a historiografia afirmou-se como uma disciplina científica ao longo do século XIX desligando-se de sua associação milenar com a retórica (definida, por White, como “uma teoria de composição pela qual certo corpo de informações é mobilizado para diferentes usos práticos, como persuasão, incitação à ação”, entre outros). O antigo modo retórico de estruturação da escrita histórica promovia, abertamente, o estudo e a contemplação do passado como uma propedêutica para a vida no espaço público, como uma alternativa em relação à teologia e à metafísica para a descoberta ou invenção de princípios por meio dos quais responder questões éticas centrais: “o que eu deveria (devo) fazer? Ou, para colocar nos termos de Lênin: o que há para ser feito?”. A profissionalização da história, então, ainda segundo White, requereu, ao menos em princípio, que o passado fosse estudado “por si mesmo” ou “como algo em si mesmo”, sem nenhuma outra motivação que não o “desejo pela verdade”, ou pelos “fatos” e sem nenhuma inclinação para o desenho de “lições” ou de algo que justificasse ações ou programas para o futuro.[xv]

A partir dessas constatações, White mobiliza a ideia de “passado prático”, que toma de Michael Oakeshott. Segundo Oakeshott, trata-se de uma versão do passado que a “maioria de nós carrega consigo e que atua em nossas tarefas diárias, quando somos compelidos a julgar situações, resolver problemas, tomar decisões e, mais importante, talvez responder a decisões feitas ao mesmo tempo por nós e pelas instituições das quais somos membros mais ou menos conscientes”. Justamente essa dimensão teria sido abandonada no gesto fundador da historiografia científica moderna, cuja narrativa, assumida como “desinteressada”, oculta seu caráter de construção. Ao fazer uma comparação entre os usos da história no realismo literário do século XIX e no romance modernista do pós-Guerra (que parecia ter “se voltado contra a história, praticando um presentismo narcisista e mergulhando no irracionalismo para lidar com um presente oprimido pelas ruínas do passado”), White faz uma provocação aos historiadores, ao afirmar que a história da qual esses escritores fugiam não era aquela encontrada “na vida”, mas a versão “fantasmagórica” ou o “passado histórico” construído pelos historiadores profissionais na tentativa de eliminar o passado de sua “utilidade prática” (ou ética).

Em texto recente, o historiador Valdei Lopes de Araújo atestou que, ainda que os debates sobre os aspectos científicos e literários da representação histórica não alcancem uma solução consensual, o historiador científico se sente, atualmente, mais pressionado “a reconhecer os limites mais modestos daquilo que a ciência histórica pode realmente entregar de prático (ético) à sociedade”.[xvi] Em outro artigo, Valdei de Araújo e Marcelo de Mello Rangel diagnosticam que uma das consequências mais gerais, no que concerne à historiografia, do giro linguístico (ou seja, de um momento “profundamente crítico de toda e qualquer argumentação fundada na possibilidade da produção de enunciados privilegiados em relação ao real”), foi um giro ético-político, sendo “ético” entendido como “pensar seu mundo” e “político” entendido como uma intervenção mais pró-ativa.[xvii]

A partir dessas reflexões, vê-se que não há razões para que o estudo do passado pareça desvinculado de uma preocupação com o presente e com perspectivas de futuro.

Dominick LaCapra, tratando de debates da História Intelectual, defende a produção de uma historiografia dialógica, que seja ao mesmo tempo “reconstrução do passado” e “diálogo” entre passado e presente. Uma concepção unicamente documentalista da história, de acordo com ele, seria, em si-mesma, uma ficção heurística, na medida em que ocultaria a sua própria historicidade. Historiadores, afinal, são homens e mulheres “mergulhados no século”, para usar a metáfora de Febvre. Por outro lado, a historiografia se reduziria a um exercício narcisista se se tratasse apenas de uma projeção das preocupações do presente ao passado.[xviii]  Dito isso, nesse pequeno ensaio em torno da polêmica de Third world quaterly, chamo a atenção para a possibilidade de produção de uma historiografia como saber vivo, dialógico e ativo. Que possamos analisar temas e problemas históricos relacionando-os com seus diversos contextos pertinentes, inclusive o contexto presente.

Notas:

[i] PRASHAD, Vijay. Third World Quarterly row: Why some western intellectuals are trying to debrutalise colonialismo. In: Scroll. https://scroll.in/article/851305/third-world-quarterly-row-why-some-western-intellectuals-are-trying-to-debrutalise-colonialism   Acesso em 12/10/2017.

[ii] GALLIEN, Max; ROELOFS, Portia. Clickbait and impact: how academia has been hacked. In: LSE impact blog. http://blogs.lse.ac.uk/impactofsocialsciences/2017/09/19/clickbait-and-impact-how-academia-has-been-hacked/     Acesso em 12/10/2017.

[iii] GILLEY, Bruce. The case for colonialism In: Third World Quarterly, DOI: 10.1080/01436597.2017.1369037. For the last 100 years, Western colonialism has had a bad name. It is high time to question this orthodoxy.Western colonialism was, as a general rule, both objectively beneficial and subjectively legitimate in most of the places where it was found, using realistic measures of those concepts. The countries that embraced their colonial inheritance, by and large, did better than those that spurned it. Anti-colonial ideology imposed grave harms on subject peoples and continues to thwart sustained development and a fruitful encounter with modernity in many places. Colonialism can be recovered by weak and fragile states today in three ways: by reclaiming colonial modes of governance; by recolonising some areas; and by creating new Western colonies from scratch. Tradução minha. http://dx.doi.org/10.1080/01436597.2017.1369037 Acesso 12/10/2017.

[iv] Idem. p. 1; p. 4; p. 5. It involves reaffirming the primacy of human lives, universal values, and shared responsibilities – the civilising mission without scare quotes – that led to improvements in living conditions for most Third World peoples during most episodes of Western colonialism. It also involves learning how to unlock those benefits again. Western and non-Western countries should reclaim the colonial toolkit and language as part of their commitment to effective governance and international order. (…)Research (…), that includes multiple dimensions of costs and benefits weighted in some justified way. Such works have found evidence for significant social, economic and political gains under colonialism: expanded education, improved public health, the abolition of slavery, widened employment opportunities, improved administration, the creation of basic infrastructure, female rights, enfranchisement of untouchable or historically excluded communities, fair taxation, access to capital, the generation of historical and cultural knowledge, and national identify formation, to mention just a few dimensions. (…)Anti-colonialism ravaged countries as nationalist elites mobilised illiterate populations with appeals to destroy the market economies, pluralistic and constitutional polities, and rational policy processes of European colonisers. Tradução minha.

[v] Para ver as petições: https://www.change.org/p/editors-of-the-third-world-quarterly-retract-the-case-for-colonialism ; https://www.change.org/p/third-world-quarterly-call-for-apology-and-retraction-from-third-world-quarterly    Acesso 12/10/2017.

[vi] Carta aberta do comitê editorial nos links: https://newsclick.in/letter-resignation-members-editorial-board-third-world-quarterly ; https://www.opendemocracy.net/simon-dawes-co-signatories/open-letter-to-third-world-quarterly-on-publication-of-case-for-coloniali?platform=hoot

[vii] Ver: GALLIEN, Max; ROELOFS, Portia. Op. cit. http://blogs.lse.ac.uk/impactofsocialsciences/2017/09/19/clickbait-and-impact-how-academia-has-been-hacked/

[viii] PRASHAD, Vijay. Op. cit. The essay appears in the age of Donald Trump, when white supremacy is back and the itch for colonialism is on the horizon. The idea that liberals, postcolonials and Marxists have denigrated “white history” is a constant refrain from the racists. This essay does not merely suggest that the “white history” of colonialism has been vili􀃒ed, but that the Europeans should return to finish the job. “Maybe the Belgians should come back” to the Congo, suggests the author – a statement that discounts the at least 10 million people massacred in a decade by the rapacious rule of the Congo by Belgium’s king Leopold. The reputable scholarly work that now exists for the Congo includes (…). None of this enters either this author’s framework or Ferguson’s. They are meticulously blind to the grave and consequential crimes of colonialism. Tradução Minha.  https://scroll.in/article/851305/third-world-quarterly-row-why-some-western-intellectuals-are-trying-to-debrutalise-colonialism Acesso em 12/10/2017.

[ix] ROBINSON, Nathan J. A quik reminder of why colonialism was bad. In: Current affairs.  Gilley doesn’t even mention racism, or the various psychological wounds inflicted on colonized people by a dehumanizing ideology (as explained by Aimé Césaire (…) Frantz Fanon (…), and Albert Memmi (…), all of whom… also go unmentioned.) One of the cruelest aspects of colonialism is the way it forces the colonized into servility and obedience, yet this doesn’t even count as a “cost.” if you say you are performing a cost-benefit analysis of colonialism, and you ignore colonial atrocities, you are fabricating history. Gilley says that anti-colonialism is just leftist ideology, that it doesn’t take account of the facts, but it’s his article that depicts a factually false version of colonial history, one in which colonists acted out of benevolente and civilizing motives, and primarily devoted themselves to opening schools and hospitals, and imposing efficient government.Tradução minha. https://www.currentaffairs.org/2017/09/a-quick-reminder-of-why-colonialism-was-bad   Acesso em: 12/10/2017.

[x] GROSFOGUEL, Rámon. The epistemic decolonial turn. In: Cultural studies 21:2-3; 211-223;  April 3th, 2007. Todas as afirmações de Grosfoguel referidas no texto estão entre as páginas 212-213; 217-218; 220-221.

[xi] Idem, p. 217-218.

[xii] FEBVRE, Lucien. Combates pela história [1952]. Tradução de Leonor Martinho Simões. Lisboa: Editorial presença. As citações de Febvre estão, respectivamente, nas páginas: 89, 35 e 56.

[xiii] BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício do historiador. Tradução de André Telles. Rio de Janeiro: Zahar, 2002, p. 29-30.

[xiv] WHITE, Hayden. The practical past. Evanston, Illinois: Northwestern university press, 2014, p. 13.

[xv] Idem. The practical past. In: Historien, v. 10, 2010, p. 10-19. As proposições mencionadas estão nas páginas 14, 16 e 18.

[xvi] ARAÚJO, Valdei Lopes. Prefácio. In: História e narrativa. A ciência e a arte da escrita histórica. MALERBA, Jurandir (org). Petrópolis: Vozes, 2016, p. 6.

[xvii] ARAÚJO, Valdei Lopes; RANGEL, Marcelo de Mello.  Teoria e história da historiografia: do giro linguístico ao giro ético-político. In: História da historiografia, n. 17, abril de 2015, p. 328. https://www.historiadahistoriografia.com.br/revista/article/view/917/549  Acesso em 12/10/2017.

[xviii]  LACAPRA, Dominick. Repensar la historia intelectual y ler textos. In: PALTI, Elías José. Giro linguístico e historia intelectual. Quilmes: Universidad Nacional de Quilmes, 1998, p. 281-282; 285; 291.

* Gabriela Theophilo Doutora em História social pelo PPGHIS-UFRJ e colabora com a Revista Escuta.

** Crédito da imagem: <https://www.lrb.co.uk/v39/n02/adam-shatz/where-life-is-seized&gt;. Acesso em: 19 out. 2017.

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