Em tempos de crescente especialização, o domínio de diversas áreas do conhecimento mais parece resquício de outra época, arcaísmo destinado ao desaparecimento. Umberto Eco, falecido na última sexta-feira, não apenas representava perfeitamente a continuidade dessa tradição como, por outro lado, desmentia a imagem do sábio encastelado em seus livros e distante das questões mais prementes da sociedade. O semiólogo, linguista, filósofo, crítico literário e romancista sempre atuou como um intelectual público, atento aos debates do seu tempo. Eco, ademais, revelava com sua produção acadêmica como a divisão estanque da produção científica pode funcionar como uma barreira ao pensamento, que muitas vezes requer a superação de barreiras disciplinares. A mais tardia dedicação ao romance, posterior a sua consagração como acadêmico, revelou, por sua vez, uma ampla e rara capacidade de divulgar, de forma sofisticada e clara, para os mais diversos segmentos da sociedade a erudição acumulada ao longo dos anos.

Escuta Recomenda um vídeo (do documentário Sulla memoria, di Davide Ferrario), que mostra sua casa-biblioteca, ou biblioteca-casa. Este vídeo é sintomática de como Eco assumia sua multifacetada produção do conhecimento como parte central da própria vida, sem dar aos livros a feição de compêndios distantes a serem eventualmente consultados, mas retratando-os como verdadeiros companheiros de uma trajetória intelectual que não se reduz a rotinas burocráticas.

Segue o link do vídeo: http://www.downvids.net/umberto-eco-che-percorre-la-sua-casa-biblioteca-752066.html

 

 

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